Ontário: uma queda d’água de tirar o fôlego


Depois de visitar Ottawa, Quebec e Montreal era a hora de partir para a última etapa da minha viagem pelo Canadá. Comprei um bilhete de trem com a ViaRail desde Montreal e parti numa tarde chuvosa de setembro em uma viagem de 5 horas por uma paisagem bem monótona que me custou CAD$125. Ao avistar Toronto a impressão que tive foi de chegar em uma cidade como São Paulo, repleta de arranha-céus, trânsito e obras por todos os cantos da cidade. Como não tinha muito tempo a perder foi o tempo de pegar o metrô até a estação mais próxima do Hostel Toronto, comprar o passeio para visitar as Cataratas de Niágara no dia seguinte, deixar as malas e sair perambulando pelas ruas para desbravar um pouco da cidade.

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Antes de começar a viagem tinha conversado com um amigo brasileiro que acabara de voltar do Canadá e estava extasiado com tantas belezas, segurança e a qualidade de vida do país e havia descrito um cenário de conto de fadas que eu particularmente não consegui encontrar. As poucas pessoas que tive contato durante a viagem me pareceram bastante frias e percebi que como em qualquer metrópole do mundo há também pessoas morando nas ruas e problemas corriqueiros com o trânsito. Aliás, o sistema de transporte do país funciona perfeitamente considerando as grandes distâncias entre uma cidade e outra, porém os custos estão no mesmo patamar das distâncias e para quem quer economizar é melhor reservar com bastante antecedência.

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A primeira impressão em Toronto da esquerda para a direita: em frente à CN Tower, Porto de Toronto e Festival Vegano.

E salvo as devidas considerações, lá estava eu numa tarde de sábado embaixo de uma sombrinha em uma atmosfera nublada e chuvosa participando de um festival vegano repleto de barraquinhas com alimentos diferentes e pessoas desconhecidas tentando me convencer a deixar o meu lado carnívoro de lado e abdicar do bel prazer de saborear uma picanha em troca de deliciosas salsichas de soja. Confesso que naquela semana havia tido uma bela discussão em um fórum sobre o direito das pessoas comerem o que elas bem entenderem e deixar de lado essa mania de julgar a vida dos outros, mas no final das contas achei melhor deixar de lado a demagogia, provar as novidades e me preparar para a visita do dia seguinte à Niágara Falls que prometia ser uma experiência bem molhada de acordo com a previsão meteorológica, não sem antes passar pela famosa CN Tower, a terceira mais alta torre do mundo com 553 metros de altura (entrada a partir de CAD$22).

Na manhã seguinte por volta das 08:00 o guia da excursão estacionou o ônibus vermelho estilo hop on hop off em frente ao albergue para começar o passeio  de 10 horas até Niágara Falls e a simpática cidadezinha Niagara on the lake (CAD$36). Mesmo com a chuva que insistia em cair estava empolgada para visitar as cataratas do lado canadense e descobrir realmente se elas fazem jus à fama internacional comparada às Cataratas do Iguaçu, as quais, diga-se de passagem, tenho um carinho mais que especial.

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Cataratas de Niágara com o barco Maid of the Mist bem pertinho das quedas.

A chegada à beira das quedas é sensacional porque em Niágara não há nenhum tipo de parque ou portal de entrada, simplesmente uma cidade com um cânion ao meio onde caem milhares de litros d´água por minuto. A vista do lado canadense é muito mais ampla e permite uma vista panorâmica das quedas, enquanto que do outro lado da ponte (esta que mais parece a ponte da amizade que une o Brasil ao Paraguai na fronteira de Foz do Iguaçu) ficam as quedas do lado americano que permitem uma aproximação maior. Em ambos os lados é possível fazer o passeio de barco até bem próximo das cascatas e aproveitar a infraestrutura de hotéis, cassinos, restaurantes e caminhadas ao longo do complexo.

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Vista da Ponte que liga o Canadá aos EUA e o mirante das Catataras do lado americano ao fundo.

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Do lado canadense ainda, o Queen Victoria Park (Parque Rainha Victoria) possui vários jardins e plataformas que levam a um posto de observação, que oferece uma vista espetacular das Cataratas do Niágara. Este parque também possui caminhos subterrâneos que levam a postos de observação, onde o turista possui a ilusão de estar dentro das águas caindo nas Cataratas do Niágara. O posto de observação localizado na Skylon Tower oferece a vista panorâmica mais alta das cataratas, bem como permite ao turista também ver – do lado oposto às Cataratas – a cidade de Toronto.

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Um dos hotéis ao entorno das Cataratas (Embassy Suites).

Depois do almoço o passeio continuou até a charmosa Niágara on the lake percorrendo o o rio Niagara abaixo das cataratas onde podemos avistar a usina hidroelétrica Adam Beck 1 e 2 que produzem cerca de 4,4 gigawatts de energia.

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Hidroelétrica Adam Beck do lado canadense.

O pequeno vilarejo de Niágara nas proximidades das quedas é um lugar de peregrinação dos turistas que vem em busca de suas belezas e aromas, pois ali encontram-se nada mais nada menos que a farmácia mais antiga do país, diversas lojas de artesanatos, diversos Bed & Breakfasts, o famoso hotel Prince of Wales e restaurantes que mais parecem ter saído de um conto natalino.

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A farmácia mais antiga do Canadá em Niagara on the lake.

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Hotel Prince of Wales em Niagara on the lake.

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Mesmo em dia de chuva Niagara on the lake é uma gracinha.

Algumas horas livres para passear pela cidade e experimentar os doces feitos com xarope de mapple e já era chegado o momento de visitar a fábrica de ice wine, os vinhos gelados que são produzidos unicamente nestas altitudes a partir das uvas naturalmente congeladas. Como a temperatura no Canadá chega facilmente aos graus mais negativos, os cachos das uvas congelam e depois de 24 horas sob baixíssimas temperaturas os grãos são utilizados para fabricar este tipo de vinho especial com um sabor adocicado que mais parece um licor.

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Ice Wine

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Plantação de uvas.

E foi neste clima chuvoso regado a um bom vinho que o passeio teve fim e voltamos para Toronto onde ainda tive tempo de mais uma caminhada pela área portuária da cidade e um jantar despretensioso que acabou revelando-se o ponto alto da viagem: estava eu voltando ao albergue com muita fome quando acabei passando em frente ao restaurante Golden Thai, um pedacinho bem longe da Tailândia e com sabores muito próximos daquele país que tanto me inspirou em uma viagem anterior. Naquele momento eu tive a real sensação de que o Canadá não é e nunca será o país dos meus sonhos, simplesmente porque não encontrei nele nenhum sentimento de alma e parti no dia seguinte com o coração aliviado em poder voltar para casa acompanhada do grande astro rei: o sol.

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Amanhecer do sol no aeroporto de Toronto na manhã da partida.

Vale lembrar que recentemente foi inaugurada uma linha do metrô que liga a estação central Union Station diretamente ao aeroporto Pearson em Toronto que leva cerca de 25 minutos, custa CAD$27,50 e parte de 15 em 15 minutos das 05:30 até á 01:00.

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