Uma aventura selvagem no Quênia


Esta viagem começa com uma aventura em um dos destinos mais desejados por esta que vos escreve: um Safari pelo Quênia.

Depois de muito pesquisar e ainda com alguns receios do que iria encontrar pela frente, cheguei em Nairobi a capital do Quênia e depois de aturar um trânsito caótico e me surpreender com o desenvolvimento da cidade lá estava devidamente acomodada no Hotel Troy que fica a poucos metros da entrada do Parque Nacional de Nairobi que diga-se de passagem, orgulha-se em abrigar um dos únicos safaris urbanos do mundo. A entrada no parque custa US$ 50 e é uma ótima pedida para quem não tem muito tempo na cidade porque em 4 horas é possível conhecer alguns dos principais animais selvagens que ali vivem (exceto os elefantes).

O destino Quênia ainda é pouco explorado por nós brasileiros e por isso o cantinho da viagem foi até lá conhecer e desbravar as belezas e traz em primeira mão as dicas e curiosidades deste país hospitaleiro e de natureza exuberante.

Além do parque nacional, a capital do Quênia ainda oferece aos visitantes de passagem a possibilidade de visitar o Orfanato de Elefantes e o Centro das Girafas onde estes animais são devidamente tratados e cuidados e os visitantes podem interagir bem de pertinho. Como o intuito não era só estar de passagem mas sim conhecer ao máximo o país, depois de uma noite de sono a viagem prosseguiu para o primeiro dia de safari em direção à Maasai Mara.

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Uma única viagem ao Quênia pode nos presentear com uma natureza distinta composta por animais selvagens em seu habitat natural em paisagens semiáridas como ao Norte do país logo acima da linha do Equador na região de Samburu onde encontramos as zebras africanas de listras finas e as girafas reticuladas com suas pintas que parecem ter sido desenhadas a mão em tamanhos simétricos. Assim como os flamingos e suas revoadas e os raros rinocerontes às margens do Lago Nakuru. E para fechar com chave de ouro uma visita ao parque de Maasai Mara para presenciar a migração massiva de antílopes, gnus e zebras com destino à Tanzânia, atravessando o Rio Mara – onde muitos deles ficam retidos entre as mandíbulas dos crocodilos.

Um passeio completo pelo país não pode deixar de incluir estes três parques para se ter a oportunidade única de ver de pertinho os famosos Big Five (leão, elefante, leopardo, búfalos e rinoceronte) em passeios de 6 dias completos com transporte em carro tipo van com um certo nível de cansaço e sacolejos para quem faz o percurso por terra, ou mesmo a tranquilidade e facilidade de visitá-los utilizando o transporte aéreo entre os parques.

A grande diferença entre o trajeto por terra e pelo ar certamente é que o primeiro permite ver a transformação da paisagem diante dos olhos e ajuda-nos a entender o modo de vida e as dificuldades que os locais enfrentam em algumas regiões áridas onde a falta de água é constante e o pó das estradas chega a encobrir a visão.

Deixando Nairobi pela manhã no primeiro dia de safari, o caminho até Maasai Mara leva cerca de 6 horas de carro incluindo trechos da rodovia em estrada de chão os quais estão sendo concluídos por um grupo de investidores chineses na região. Depois de alguns sacolejos o parque de Maasai Mara se apresenta com um entardecer incrível e em poucas horas dentro do parque é possível avistar girafas, elefantes, leopardos, antílopes e gnus antes do merecido descanso para o dia seguinte.

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Manada de Búfalos em Maasai Mara, Quênia

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Antílopes e Zebras em Maasai Mara, Quênia

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Casal de leões em lua-de-mel em Maasai Mara, Quênia.

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Cena rara de um leopardo descansando em uma árvore em Maasai Mara, Quênia

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Filhotes de Cheetah a espera de um lanchinho em Maasai Mara, Quênia.

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Girafas em Maasai Mara, Quênia

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Zebras comuns em Maasai Mara, Quênia.

No segundo dia em Maasai Mara o safari inicia logo cedo quando a temperatura está bem amena e os animais saem para caçar. Os principais protagonistas deste dia são os gnus (as feras selvagens) que em meados do mês de julho iniciam a migrar da região árida do Serengueti no país vizinho Tanzânia e depois de atravessarem o rio Mara repleto de crocodilos, conseguem chegar ao Quênia onde encontram uma vegetação mais fresquinha para passar os próximos meses se alimentando antes de retornar ao Serengueti em outubro.

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Manada de Gnus migrando da região do Serengueti na Tanzânia para o Maasai Mara no Quênia.

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Os crocodilos já na espera dos gnus na beira do Rio Mara, Quênia.

Depois de rodar o parque durante o dia todo e avistar praticamente todos os Big Five (faltou só o rinoceronte que é muito raro aparecer nesta região), o gran finale do dia teve uma visita à vila dos Maasai Mara (entrada US$20), uma tribo de pastores nômades que vivem entre o Quênia e a Tanzânia e recebem os visitantes em suas casas mostrando seus costumes e cerimônias como a dança típica onde os homens saltam para chamar a atenção das futuras esposas.

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Homens da tribo Maasai Mara em uma de suas danças típicas.

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Visitando a casa de líder Maasai.

Na tribo dos Maasais cada família vive em uma área cercada onde constroem suas casas com uma espécie de argila misturada a gravetos de madeira. Cada homem da tribo pode ter mais de uma esposa, no entanto deve ter um rebanho farto para oferecer à família da pretendente antes de casar-se novamente. Com 15 anos os jovens guerreiros da tribo são circuncidados e em grupos vão para o meio da reserva caçar um leão macho. Depois de matar um leão e trazer a juba para a vila os jovens passam à fase adulta e já podem se casar pela primeira vez com a escolhida pelos pais. As mulheres por sua vez são encarregadas pela construção das casas, cozinhar e cuidar das crianças enquanto os homens encarregam-se dos trabalhos fora da casa como o pastoreio dos animais que eles vendem no comércio local, uma vez que todos os Maasais são vegetarianos e bebem somente o leite da vaca misturado com o sangue que é retirado através de uma pequena incisão no animal.

No terceiro dia a viagem de 8 horas continuou até o Lago Nakuru (palavra que em Maasai significa lugar dos mais poeirentos) onde encontram-se ainda alguns dos remanescentes flamingos que até alguns anos atrás faziam a festa dos visitantes em revoadas que encobriam todo o lago. Infelizmente o nível do lago aumentou e os substratos que serviam de alimento para os flamingos estão cada vez mais escassos, por isso muitos dos flamingos que ali viviam acabaram migrando para o Lago Bogoria a cerca de 100km dali. Mesmo assim, a visita ao Lago Nakuru nos proporcionou a experiência única de ver de perto os raros rinocerontes e presenciar uma fuga exclusiva de leões covardes fugindo de uma manada de búfalos.

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Rinocerontes raros no Lago Nakuru.

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Flamingos no Lago Nakuru.

Depois de uma aventura destas era hora de seguir mais 400km de viagem até chegar no parque de Samburu  ao norte da linha do Equador com sua paisagem semiárida. Antes de chegar ao parque passamos pela linha do Equador e presenciamos o efeito Coriolis onde colocando um palito dentro de um balde de água podemos observar que ele se move no sentido horário no Hemisfério Norte, no sentido anti-horário do Hemisfério Sul e na linha do Equador sequer se move.  Este fenômeno é uma força inercial e também pode ser observada quando damos a descarga no banheiro e vemos a água descer pelo ralo de maneira oposta dependendo do Hemisfério em que nos encontramos.

No caminho  ainda tivemos uma parada estratégica para conhecer as cascatas Thomson com seus 72 metros de altura que desaguam no Rio Narok e são provavelmente as quedas mais próximas ao Equador, além é claro de tirar algumas fotos com camaleões e os guerreiros samburus que aproveitavam o dia ensolarado e os vários visitantes para arrecadar uns trocadinhos.

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Linha do Equador em Nanyuki, Quênia.

Devidamente cruzada a linha do Equador era o momento de visitar o parque de Samburu e avistar as primeiras manadas de elefantes cruzando o rio seco pela aridez da paisagem, as primeiras girafas reticuladas, as zebras de listras fininhas convivendo pacificamente com os javalis e antílopes que abanam seus rabinhos quando estão felizes e contentes e gozar do merecido descanso no hotel com uma vista privilegiada destes animais que apesar de selvagens convivem pacificamente com os visitantes.

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Elefante passeia tranquilamente pelo rio em frente a um dos hotéis em Samburu, Quênia.

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Girafa Reticulada típica desta região norte em Samburu, Quênia.

Antilope em Samburu, Quênia.

Antílope no Lago Nakuru, Quênia.

Encontro carinhoso de antílopes machos em Samburu, Quênia.

Quando velhos os elefantes se afastam da manada e perambulam pelo parque solitários – Maasai Mara, Quênia.

Romeu e Julieta em Maasai Mara: os gansos egípcios vivem sempre em casal e quando um dos dois morre o outro comete suicídio.

Depois de percorrer vários quilômetros e ver diferentes paisagens é impressionante perceber como nas reservas naturais repletas de animais selvagens coexistem vilarejos de maasais e samburus que ainda vivem de maneira primitiva e seguem suas tradições milenares. Em Samburu, em meio a uma nuvem de poeira típica desta região semi-árida, avista-se o vilarejo com casas circulares feitas de palha e cobertas com restos de madeira, além de diversas comunidades ao longo da estrada que buscam todos os dias seus barris de água há milhares de quilômetros para abastecer suas casas, além de ser muito comum ver pastores levando seus camelos para dar uma volta em busca de algum tipo de pasto para se alimentar nesta região seca e carente de recursos hídricos.

Camelos pelas estradas de Samburu: com um clima semiárido estes animais são os que mais se adaptam ao clima.

Girafa Maasai a esquerda e Girafa Reticulada em Samburu a direita.

Zebra comum em Maasai Mara/ Nakuru e Zebra de listras mais finas encontradas somente em Samburu.

Como chegar: a porta de entrada para os safaris pelo Quênia encontra-se na capital Nairobi que recebe voos internacionais provenientes de várias partes do mundo. Uma das melhores opções para os brasileiros é voar com a African Airways até Johannesburg e de lá fazer uma conexão em um voo de cerca de 2hs até Nairobi. A partir da capital há opções de safaris de 3 dias somente para Maasai Mara e 6 dias incluindo o Lago Nakuru e Samburu com transporte em vans ou também a opção de voar diretamente do aeroporto Wilson de Nairobi até Maasai Mara ou Samburu com a companhia fly540.

Onde ficar: as companhias que disponibilizam os safaris trabalham com 3 tipos de acomodações no sistema all inclusive durante os dias de safari:

1. Turística com acomodações simples em tendas

Maasai Mara – Lenchada Tourist Camp

Nakuru – Hillcourt Resort & Spa

2. Intermediária com acomodações mais sofisticadas e atendimento mais exclusivo muitas vezes em tendas com uma infra-estrutura moderna.

Maasai Mara – Ol Moran Hotel

Nakuru – Hillcourt Resort & Spa

Samburu –  Laserns Camp 

3. Superior com acomodações de luxo em hotéis com infra-estrutura e acomodações internacionais.

Maasai Mara/ Nakuru e Samburu- Sopa Lodge

Em Nairobi há de se prever o trânsito caótico para chegar ao centro da cidade, portanto caso esteja só de passagem para iniciar o safari prefira os hotéis no entorno do aeroporto para fugir dos congestionamentos.

Hotel Troy: hotel bem simples com acomodações que vão desde quartos standards até pequenos chalés equipados com cozinha e serviços para famílias e localizado bem próximo à entrada principal do Parque Nacional de Nairobi.

Hotel Easy: categoria intermediária e a cerca de 1 quilômetro do aeroporto com quartos em estilo africano e serviço de qualidade com ótimo custo-benefício.

Hotel Eka: muito bem localizado na avenida que liga o aeroporto ao parque nacional e a poucos metros de um shopping center.

Quem faz: as empresas African Breeze Tours e Africa Exclusive Escapes organizam safaris para todos os gostos e bolsos (preços a partir de US$350 para safaris de 3 dias em tendas em Maasai Mara). Negocie os valores antes de contratar os serviços e fique atento com os detalhes dos hotéis e serviços oferecidos de acordo com o seu nível de exigência.

Dicas: o sistema telefônico no Quênia funciona que é uma beleza, mesmo em meio aos safaris sempre há cobertura de sinal, por isso ao chegar em Nairobi compre um chip para o seu telefone, cadastre-se e fique tranquilo navegando até mesmo pela internet durante a sua aventura.

A maioria dos hotéis e campings dos safaris utilizam geradores elétricos e a luz costuma ser desligada por volta das 22:00 até às 06:00 e em alguns casos a água do banho pode não ser tão quente.

Leve sempre óculos de sol, protetor sol, chapéu, água mineral e repelente durante os safaris e esteja sempre preparado com sua câmera fotográfica para registrar os melhores momentos desta aventura. Alem disso certifique-se de ter uma boa companhia de viagem como a minha super amiga Polly para dar muitas risadas e fotografar os melhores momentos da viagem com diferentes angulos e ponto de vista.

Visto: brasileiros precisam de visto para entrar no Quênia que pode ser feito no momento da chegada pagando uma taxa de US$ 50,00.

E depois de aproveitar ao máximo este super safari pelo Quênia a viagem ainda continuou em direção ao litoral do país para conhecer uma das praias mais lindas do mundo com águas clarinhas do Oceano Índico. Clique aqui e conheça Diani Beach!

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Uma resposta para “Uma aventura selvagem no Quênia

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