O que fazer em um dia em St. Petesburg


Há muitos anos eu sonhava em conhecer um cantinho da Rússia e neste ano tive a oportunidade de passar um dia em St. Petesburg. A cidade que jó foi antiga capital do país, se chamou Stalingrado, Leningrado até receber definitivamente o nome atual é um lugar inspirador e repleto de atrativos, a começar pelos seus canais, pelo rio Neva, palácios de czares, igrejas ortodoxas coloridas, além de muita cultura, história e como não citar o inconfundível ballet.

Se não fosse pelo idioma russo que é bem complicado de entender e falar eu diria que uma viagem para lá seria bem simples pois nós brasileiros não precisamos de visto para visitar o país. No entanto, ao chegar na cidade percebe-se que praticamente ninguém fala inglês e por isso nada mais indicado que contratar um guia para acompanhar a visita.

Quiosques de turismo estão espalhados pelos principais atrativos e oferecem passeios com guia.

No meu caso, com a ajuda de amigos consegui fazer um passeio pelos principais pontos turísticos da cidade usando o metrô e é aqui que começa a aventura na arte de desbravar a cidade, isso porque as estações de metro em St. Petesburg são em si um atrativo pelas características de sua arquitetura, muitas delas construídas em mármore e com trilhos situados a grandes profundidades da terra. Do terminal de cruzeiros de onde eu estava havia um ônibus gratuito (n. 518) até a estação de metro Primorskaya onde a linha verde seguia até a estação Nevsky Prospekt (bilhete a 45 rublos) onde estão os principais atrativos como o Museu Hermitage e a Catedral do Sangue Derramado.

Estação do Metro de Primorskaya.

Ao chegar ao centro de St. Petesburg a sensação é de entrar em um cenário cinematográfico com praças enormes e edifícios que seguem a mesma linha arquitetônica soviética plana, de cores sóbrias, extensos e gigantes.

A rua Nevsky Prospekt é uma das principais da cidade e concentra uma grande quantidade de lojas, cafés, restaurantes e é o centro cultural e social da cidade. Dali em poucos minutos caminhando é possível visitar também a Catedral do Sangue Derramado e o Museu Hermitage.

Prédio do Almirantado de Pedro I, do início do século XIX, fica ao lado do Museu Hermitage e ali foram construídos os primeiros navios russos.

Praça do Palácio onde ocorreram eventos importantes como a revolução de Outubro de 1917 (fica em frente ao Museu Hermitage)

Os policiais estão por todas as partes nos principais atrativos turísticos e nas estações de metro.

canais

Canais de St. Petesburg

Uma das ruas adjacentes a Nevsky Prospekt com bares e restaurantes.

Lojas de souveniers com artefatos tipicamente russos como as bonecas Mamuskas e os vestidos de danças folclóricas.

O Museu Hermitage que foi fundado pela imperatriz Catarina II a Grande em 1764 como local para guardar sua coleção de arte privada é um complexo de seis edifícios, incluindo o Palácio de Inverno ao longo do Rio Neva que formaram o lar dos czares por quase 200 anos. Quando aberto ao público em 1852 passou a ser um dos maiores e mais interessantes museus do mundo, tanto que se levarmos em consideração que dedicando um minuto para cada objeto em exposição seriam necessários vários anos para conhece-lo por completo, digamos que vale a pena dedicar ao menos um dia inteiro para a visita  (bilhetes para um dia custam cerca de 18 dólares e para 2 dias 26 dólares – fecha nas segundas-feiras).

Vista do Museu Hermitage do lado oposto ao Rio Neva.

hermitage

Museu Hermitage desde a Praça do Palácio.

Por ter pouco tempo na cidade e ainda pelo tamanho da fila para entrar no museu, dediquei alguns minutos para apreciar o entorno da praça e segui diretamente ao meu atrativo favorito: a Igreja do Sangue Derramado. Ela foi construída por ordem de Alexander III em 1883 como tributo aos seu pai Alexander II que foi assassinado naquele local por um grupo de revolucionários e leva este nome em referência à sua morte. A fachada externa da igreja é belíssima com ornamentos coloridos e cúpulas em forma de cebolas, seu interior possui mais 7.500m2 de mosaicos com ícones e figuras religiosas muitas delas com o tema do martírio e caminhando desde a Nevsky Prospekt é possível ver de perto os canais da cidade até chegar até ela (entrada custa cerca de 10 dólares e a igreja está aberta das 11:00 às 19:00 de quinta a terça).

Vista da Igreja desde o canal de St. Petesburg.

catedral sangue

Catedral do Sangue Derramado

No seu entorno ainda encontrei muitos vendedores ambulantes de souvenires e acabei comprando uma réplica de um Ovo Fabergé, obra de joalheria realizado principalmente na disnatia Romanov e encomendados por Alexandre III e Nicolau II entre 1885 e e 1917 sendo cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas e eram oferecidos na  Páscoa entre os membros da família imperial. É óbvio que o meu humilde ovinho de 3 dólares não tem uma grama sequer de metal precioso, mas ao menos vem estampado com desenhos dos atrativos da cidade 🙂

E como meu tempo era curto para visitar todos os atrativos da cidade, tive algumas horas para saborear uma sopa borsh e em seguida avistar à margem direita do Rio Neva a Fortaleza de S. Pedro e S. Paulo (Petropavlovskaya Krepost – fechada nas quartas-feiras) que deu origem à cidade de St. Petesburg. Ela foi idealizada por Pedro o Grande, desenhada pelo arquiteto italiano Domenico Trezzini, fundada em 1703 e dentro dela encontra-se a Catedral de Pedro e Paulo onde estão enterrados os czares desde Pedro o Grande até Nicolau II e sua família. Vale salientar que esta catedral é a mais antiga da cidade e ostenta um estilo totalmente diferente das demais igrejas ortodoxas russas, tudo isso graças às ideias de Pedro, o Grande, de ocidentalizar a Rússia.

fortaleza

A fortaleza fica na Ilha Zaichy Ostrov origem e núcleo de St. Petesburg, construída com o objetivo de proteger a cidade dos ataques suecos durante a Grande Guerra do Norte, principal preocupação russa no início do século XVIII e de onde se tem uma vista panorâmica do Museu Hermitage e também um dos locais onde os petesburguenses costumam banhar-se á beira do rio nos dias ensolarados de verão.

pedro o grande

Dentro da fortaleza encontra-se a estátua de Pedro, o Grande, representado com suas extremidades gigantes e cabeça pequena (sabe-se lá o porquê!!!)

Interessante notar também que o arquiteto italiano que projetou a fortaleza é bastante cultuado na cidade e possui até mesmo uma estátua e um hotel com seu nome à beira do Rio Neva do lado oposto ao Hermitage.

Tradicional Sopa Borsh servida no pão.

Estátua do arquiteto Domenico Trezzini em frente ao hotel homônimo à margem direita do Rio Neva.

Próximo à Fortaleza de S. Pedro e S. Paulo e da estação de metro Gorkovskaya ainda é possível impressionar-se com uma cúpula em cerâmica azul turquesa da Mesquita Azul que foi construída entre os anos 1909-1920 e por muito tempo foi a maior mesquita da Europa, podendo acomodar mais de 5.000 pessoas. Por muitos anos a primeira mesquita em St. Petesburg foi chamada de Tatarian porque a área próxima ao templo tinha o nome de Tatarstan e a comunidade local foi muito ativa e envolvida na construção da mesquita. 

st-petersburg-mosque

Mesquita Azul de St. Petesburg

Embora com pouco tempo disponível ainda consegui caminhar a beira do Rio Neva e percebi que, de maneira simples, os russos já estão começando a vibrar com a ideia dos Jogos da Copa do Mundo de 2018 e nas ruas de St. Petesburg já se pode ver alguns sinais desta paixão pelo futebol.

copa

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