Conheça os tesouros dos povos das missões


Há alguns anos durante o período em que estudava turismo em Foz do Iguaçu sempre tive a curiosidade de visitar as ruínas de San Ignazio Mini do lado Argentino, no entanto somente no início deste ano tive a oportunidade de fazer este passeio de um dia e de quebra conhecer também as minas de Wanda.

O passeio começa em Foz do Iguaçu logo cedo com uma van privativa que leva os visitantes até o lado argentino onde o grupo junta-se aos demais passageiros argentinos e seguem o passeio em um ônibus com guia.

Para chegar às Minas de Wanda – nome da princesa polonesa que gostava das gemas semi-preciosas da região– é preciso percorrer cerca de 60 quilômetros pela ruta nacional n. 12 até chegar ao pequeno povoado onde encontram-se as minas de pedras semi-preciosas de cristais de quartzo, ametistas, ágatas e topazios recostadas no caudaloso rio Paraná em seu estado natural a céu aberto. Ao chegar no complexo das minas um guia local recebe os grupos e relata a origem e composição química das pedras, além de acompanhá-los em uma visita dentro da mina (entrada custa 80 pesos argentinos). Ali é possível ver de perto a formação das rochas do período terciário que sofreu diversos derramentos de lava provenientes do centro da terra formando o basalto que é a rocha mãe que deu origem às pedras desta região. Após a visita tivemos um tempo livre para compras dos artesanatos e jóias elaboradas com as pedras retiradas das minas e então seguimos o passeio até as Ruínas da Redução Jesuítica de San Ignazio Mini que estão a 250 quilômetros da fronteira entre o Brasil e a Argentina.

wanda

Minas de Wanda ao fundo com o simpático guia do grupo

minas de wanda

Grupo visita o interior das minas de Wanda na Argentina.

Digamos que o percurso para chegar até as ruínas não reserva muitos atrativos e, apesar de ser umas das reduções mais bem conservadas da região, não dispõe de muita infra-estrutura nos arredores, porém a visita vale a pena pelo simples fato histórico e cultural que estas ruínas representaram para o povo guarani e a proposta dos padres jesuítas em desenvolver estas reduções construídas com blocos de terra em meio à mata.

A visita às ruínas inicia no casarão de entrada do complexo onde fica o museu (entrada: estrangeiros aprox. AR$ 150,00 pesos argentinos por pessoa – latino-americanos: aprox. AR$ 130,00 pesos argentinos por pessoa – argentinos aprox. AR$ 100,00 pesos argentinos por pessoa) onde os grupos são acompanhados pelos guias locais ou mesmo por conta própria, já que existe um sistema de totens ao longo do complexo com áudios informativos em vários idiomas.

san ignazio mini2

Ruínas com três totens de áudio informativos.

san ignazio mini 2

Entre as portas do passado das missões

Infelizmente no dia em que estive nas ruínas o museu estava em reforma e não tive a oportunidade de visitá-lo, porém na viagem de retorno a Foz do Iguaçu o guia disponibilizou o filme A MISSÃO que retrata a saga dos jesuitas em terras guaranis e o legado que eles deixaram para o povo indígena, principalmente no quesito das artes (instrumentos musicais como a harpa paraguaia que tem forte herança jesuítica – veja vídeo).

Após deixar o casarão o que se vê adiante é um gramado verde e enormes blocos de construção de cor avermelhada com detalhes que remontam às construções europeias e que sobrevivem ao tempo em um ambiente úmido, quente e cercado pela mata verde (um cenário muito parecido com os templos de Angkor Wat no Camboja, porém em tamanho bem reduzido).

san ignazio mini

Vista da entrada principal de San Ignazio Mini.

alojamento san ignazio mini

Casas onde moravam os indígenas dentro do complexo da redução.

E para entender um pouco da história de San Ignacio Mini, temos que voltar um pouco no tempo por volta de 1610 durante o período de colonização espanhola quando os jesuítas fundaram esta missão na região brasileira de Guayrá, a qual sofreu ataques de bandeirantes e mamelucos (portugueses caçadores de escravos). Os jesuítas tinham a missão de evangelizar os índios guaranis e eram contra à escravidão, o que incomodava a coroa espanhola e portuguesa. Somente San Ignacio e Nuestra Señora de Loreto “sobreviveram” a esses ataques. Depois dos ataques, em 1632 estas reduções mudaram para a atual província de Missiones na Argentina e somente em 1692 foram construídas as muralhas, casas, igreja, cemitérios, etc. Em 1817 foi atacada pelos paraguaios que quase a destruíram  completamente, ficando então as ruínas esquecidas até a década de 40 quando finalmente foram restauradas, passando a integrar um dos Patrimônios da UNESCO em 1984.

Os jesuítas aproveitaram a crença guarani de não fazer o mal para “impor” o “caminho ao paraíso” (o equivalente a Terra sem Mal, o destino de todos os guaranis). Assim, os índios ficavam sob a proteção das leis espanholas e de praxe o governo espanhol mantinha seu domínio na região já que havia uma expansão colonial portuguesa.

ruinas san ignazio

O piso das ruínas com as pegadas dos cachorros, fato este corriqueiro em obras com cimento fresco com invasores naturais 🙂

Alguns líderes indígenas concordaram em construir igrejas, as quais eram símbolos de proteção divina e jurídica, fortalecendo os laços com a Companhia de Jesus. Outros, só queriam saber de guerra, destruição, fogo e canibalismo. E foi por estas e outras razões históricas que as missões chegaram ao fim e deixaram para trás as suas obras e sua história que hoje permanecem disponíveis a quem quiser conhecê-las de perto.

Como chegar : a agência 5 elementos disponibiliza o passeio de dia inteiro a partir de Foz do Iguaçú com acompanhamento de guia (R$ 160,00 por pessoa). Não esqueça de levar a Carteira de Identidade emitida há menos de dez anos ou passaporte para o controle de fronteira na Argentina.

Quando ir: As ruínas de San Ignácio ficam abertas para visitação diariamente, das 7h ás 19h.

Dica importante: A infra-estrutura nos arredores das ruínas é bem simples e os poucos restaurantes nos arredores do povoado são caros e as comidas de péssima qualidade, portanto leve sempre um lanchinho para prevenir e não esqueça do boné, protetor solar e repelente.

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