Tieta no Deserto de Atacama


Depois de longos meses buscando inspiração para escrever algo sobre a minha segunda experiência em terras chilenas, eis que me deparo como uma questão muito importante que influencia e muito a visão do viajante. A primeira vez que estive em Santiago perdi o voo no Mexico e cheguei na cidade com um dia de atraso e ainda em meio a um nevoeiro, apesar disso fui muito bem recebida por todos os chilenos que encontrei pelo caminho e tive uma experiência fantástica visitando o Valle Nevado, Valparaíso, Viña del Mar e Santiago.

Nesta segunda experiência o destino era mais tentador: o Deserto de Atacama e suas paisagens lunares.E eis aqui o meu relato desta aventura espetacular que rendeu muitos conhecimentos e deixou traços indeléveis em minha alma.

A chegada em São Pedro de Atacama em uma manhã fria de verão depois de várias horas dentro do ônibus desde Salta no Noroeste da Argentina foi como aquelas cenas de Tieta do Agreste que volta para sua terra e se depara com um pequeno povoado em terracota no meio do nada e com o sol a pino. A primeira pergunta que me veio à mente foi: como é que que as pessoas conseguem viver neste lugar tão inóspito? E elas não só vivem como são felizes ali e foi essa sensação que tive logo após alguns passos em direção ao hostel quando já estava habituada com a altitude e inserida na movimentação dos milhares de turistas e aproveitando a energia positiva daquele lugar único no mundo.

Digo único porque em meio a uma paisagem altiplânica desértica é possível visitar o Valle della Luna e o Valle della Muerte (passeio de van das 16:00 às 21:30 – 10.000 pesos chilenos por pessoa) e sentir-se realmente fora do planeta terra. Este passeio é o batismo de chegada da maioria dos viajantes porque  ambos os vales ficam a uma curta distância de São Pedro e de quebra muitas pessoas aproveitam para chegar lá a pé ou de bicicleta (o que dependendo da intensidade do sol pode ser uma roubada se você não estiver preparado fisicamente).

valle della luna

Valle della Luna

valle della muerte

Estrada para o Valle della Muerte

valle

Dunas do Valle della Muerte

banheiro aimara

Banheiro do deserto

Após a aclimatação nas highlands chilenas o segundo dia foi dedicado à visita aos gêiseres del Tatio (passeio de van das 04:30-12:00 – 20.000 pesos chilenos), palavra esta que no idioma Quasar significa “avô que chora” devido à montanha que congela no inverno e a sua silhueta se parece com uma face em prantos.

Os Gêiseres del Tatio são os mais altos do mundo e a temperatura em algumas partes pode chegar a 85 graus Celsius, por este motivo depois de um acidente ocorrido com um turista belga que caiu em uma das crateras de água incandescente, agora os grupos só podem entrar acompanhados com um guia e as áreas permitidas para visitação estão muito bem demarcadas.

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Banheiras naturais nos Gêiseres del Tatio

Depois de quase congelar os neurônios em frente à bela paisagem dos géiseres, o pequeno grupo de destemidos seguiu para a visita ao Pueblo de Machuca, um vilarejo de terracota encravado no meio do deserto onde podemos saborear deliciosas empanadas de carne de llama e ter um contato mais próximo com a realidade dos locais que vivem da venda de seus artesanatos em lã: de llama é claro. Aliás este simpático animal da família dos camelídeos está presente em todos os cantos do deserto e é venerado pelos seus proprietários. Em uma parada estratégica deste passeio pude notar que os bichinhos usam uma espécie de colar e tiara de flores na cabeça que fazem parte de uma antiga tradição aimara de floreo (veja o video).

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Povoado de Machuca

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Igrejinha do povoado de Machuca

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Campo de llamas e vicunhas no povoado de Machuca

Como a passagem por São Pedro de Atacama era uma prévia aclimatação para seguir ao Salar de Uyuni na Bolívia, ao voltar do passeio a tarde ficou livre para poder passear pelo centrinho do povoado e a noite a grande surpresa: o tour astronômico (18.000 pesos chilenos), um passeio imperdível para quem quer avistar estrelas, planetas e satélites com telescópios profissionais e ainda de quebra beber um delicioso vinho chileno acompanhado de um churrasquinho enquanto fica embrulhado em um cobertor ao ar livre sob a luz do luar (atenção porque o passeio não está disponível em noites de lua cheia devido à alta luminosidade que impede de avistar o céu).

A noite passou, o sol nasceu e em meio à imensidão do deserto já era Domingo e a manhã começou com uma aula de Yoga revigorante (7.000 pesos chilenos a aula de 1.30hs) acompanhada de um suco natural e depois de muita meditação e relaxamento era chegado o momento de alugar uma bike (3.000 pesos chilenos para meio dia) e conhecer as ruínas de Pukara de Quitor  e seu mirante com uma vista panorâmica do alto de São Pedro onde encontra-se um portal e estátuas das faces do povo atacameño em uma linda homenagem aos avôs do povo ayllu que defenderam aquela região dos invasores e foram degolados pelos forasteiros que vinham em busca de ouro e das riquezas naturais do local. A subida ao mirante pode ser feita somente a pé e vale lembrar que o sol escaldante exige um pouco de preparo físico além de muita água e barras de cereal.

Yoga

Domingo é dia de Yoga no Kimal em São Pedro de Atacama.

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Passeio de bike à Pukara de Quitor

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Vista do vulcão Licancabur desde o mirante de Pukara de Quitor.

E depois destes dias de forasteira do deserto era chegado o momento de seguir viagem para os confins da Bolívia onde começaria a verdadeira aventura em direção ao maior deserto de sal do mundo: Salar de Uyuni…

Como chegar : há várias maneiras de se chegar em São Pedro de Atacama, a mais prática é voar até a cidade de Calama e pegar um ônibus ou táxi até São Pedro (1 hora de viagem). Outras maneiras são através dos ônibus de linha que partem desde Santiago, Uyuni ou Salta na Argentina, tudo depende da direção do roteiro de cada viajante.

Quando ir:  os meses de dezembro a fevereiro são os mais secos e conhecidos como inverno altiplânico, de março a maio as temperaturas são mais amenas durante o dia e não tão altas a noite, de junho a agosto as temperaturas durante o dia são agradáveis porém a noite elas caem bruscamente, de setembro a novembro as temperaturas são amenas e podem ocorrer raramente tempestades de areia.

Onde ficar: em São Pedro há poucas opções de hotéis e a maioria dos visitantes fica hospedado em albergues e em períodos de alta temporada o povoado sofre com a falta de água devido à grande quantidade de turistas, por isso ao escolher seu alojamento leve em consideração este fator e prefira pousadas e albergues menores com mais tranquilidade.

Onde comer: há vários restaurantes e cafés espalhados por São Pedro mas sem sombra de dúvida o Restaurante Adobe é uma boa pedida, principalmente porque à noite eles oferecem música andina ao vivo e uma fogueira para aquecer os clientes bem no meio do salão. Não deixe também de provar a salada de alface com camarões, uma delícia!!!

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