Amsterdã: uma questão de espírito


Em meus planos de viagem sempre esteve a ideia de conhecer Amsterdã, afinal de contas esta cidade faz parte do roteiro de muitos guias de viagem e me parecia ser uma ótima opção para conhecer os tradicionais moinhos de vento e os campos de tulipas.Acontece que, por uma questão de trabalho, fui praticamente intimada a visitar esta cidade multifaces que eu definiria hoje como: um estado de espírito.

Meu primeiro encanto ao chegar na cidade foram: os canais, os prédios com suas fachadas coloridas, as pequenas embarcações que servem também de moradia, o aspecto bonito das pessoas que circulam pelas ruas com suas bicicletas enfeitadas com flores e objetos pessoais, os moinhos de vento, o romantismo e o liberalismo que convivem ao mesmo tempo em uma profusão de sentimentos que fogem do entendimento de quem chega à cidade pela primeira vez.

Amsterdã foi construída abaixo do nível do mar e por isso é considerada a Veneza do Norte; ali as pessoas tem o hábito de usar no dia-a-dia os tradicionais klompen (tamancos de madeira) os quais, segundo eles, ajudam a prevenir as dores nas costas. Um modelito básico destes chega a custar de 30 a 40 euros e se você for ainda mais curioso e quiser saber como ele são feitos, basta visitar uma das fabricas nos arredores da cidade, onde é possível acompanhar o processo de transformação da madeira em charmosos e leves tamancos.

Os holandeses também são exímios produtores de queijo e a cada esquina da cidade é possível encontrar uma loja com degustação dos melhores sabores e especialidades da região. E eu como não sou de ferro, aproveitei para degustar todos os tipos de queijos possíveis que encontrei pelo caminho, sem contar os deliciosos chocolates.

E falando em caminho, a melhor maneira de conhecer a cidade é a pé ou alugando uma bicicleta, assim pode-se percorrer facilmente a Avenida Damrak, que fica próxima a estação central de trens, além das ruas comerciais Nieuwendijk, Kalverstraat, Leidse Straat e a praça Leidseplein. Ali na praça encontra-se o famoso Museu de cera de Madame Tussaud, onde personagens como: o Papa Joao Paulo II, Pavarotti, Lady Gaga, Ronaldinho Gaucho, presidente Obama, entre outros, fazem a alegria dos visitantes como eu que pude ficar bem perto (mesmo que de mentira) dos meus ídolos.

Outra grande atração da Holanda são as tulipas, uma marca registrada do pais que é responsável por mais da metade da produção mundial destas flores. A quantidade de tulipas é tanta que elas estão espalhadas por todos os cantos e suas mudas, em saquinhos, podem ser compradas em qualquer lojinha da cidade. Infelizmente nesta época do ano (Setembro), os campos de tulipas não estão floridos, por isso não pude vê-los e fotografá-los, no entanto esta pode ser uma grande desculpa para voltar em Amsterdam na primavera quando os campos estiverem repletos de flores coloridas.

Ao contrário do que parece, nem tudo são flores, queijos e moinhos em Amsterdã, pois a cidade tem um outro forte apelo turístico: a venda legalizada de entorpecentes (com direito a certificado de procedência, catálogo de espécies de cannabis e tudo mais), que podem ser compradas em lojas específicas e cafés. Ou seja, não é de se estranhar ser abordada pelo vendedor de uma Hemp Shop que te oferece inofensivos “cogumelos” como se fosse algo bem comum na sua rotina diária (vou ser sincera que quando o vendedor me perguntou se eu estava em busca de cogumelos pensei automaticamente na casinha dos Smurfs, pois na vitrine da loja estavam expostos lindos cogumelos em gesso, certamente vindos do fantástico mundo dos pequenos homenzinhos azuis… ☺…).

Agora o que realmente não me pareceu nem um pouco comum foi passar pela rua Red Light, um local muito maluco, e diga-se de passagem muito procurado pelos turistas do sexo masculino, onde as garotas de programa expõem suas mercadorias (diga-se: corpo) nas vitrines. As tais garotas não gostam muito de serem fotografadas, também pudera, já basta exporem a figura em público de graça, então fico devendo a foto do local.

Como não podia deixar de ser, nas proximidades da Red Light há diversos becos e ruas repletas de sex shops, além de uma simpática Condomerie que vende camisinhas de diversos formatos, cores e sabores (além de contar com um pequeno museu no seu interior) e da Red Shop, uma loja que comercializa roupas, acessórios e souveniers somente na cor vermelha.

Por ali pode-se encontrar pessoas dos tipos mais bizarros aos mais caretas, como um grupo de amigas vestindo lingerie e véu de noiva fazendo uma despedida de solteira dentro de um sex shop, ou um acampamento de jovens anti-capitalistas em plena praça, enquanto um pai passeia tranquilamente pela rua com suas filhas dentro do carrinho acoplado na frente de sua bicicleta.

Excentricidades a parte, nada mal estar em um lugar assim tão cosmopolita e poder visitar museus, moinhos, campos de tulipas, degustar os mais saborosos queijos e chocolates, passear de bicicleta pelas ruas labirínticas entre os canais em meio a um turbilhão de pessoas, ideias, gostos e atitudes e acima de tudo sentir a tranquilidade e um estado de espírito próprio que só mesmo uma cidade como Amsterdã pode oferecer.

E se você quiser um lugar tranquilo para passar a noite eu recomendo o Hostel Van Gogh, que fica justamente em frente ao Museu homônimo e que oferece a oportunidade única de aproveitar o melhor da cidade e ainda ter uma noite de sono tranquila longe do agito do centro.

E no momento da partida desta cidade agradável e acolhedora, nada mais típico que despedir-se dela navegando pelas suas águas mansas e ainda receber um caloroso até breve dos moradores que vivem a beira do canal de Amsterdã.

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2 Respostas para “Amsterdã: uma questão de espírito

  1. Cláudia

    Ótimo Post! Fica escancarada a diferença da educação do europeu entre a do brasileiro. A diversidade na Holanda não é motivo de violência nem de preconceitos.

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