O segredo da longevidade em Cagliari


Uma cidade bonita por natureza, com uma extensa costa marítima, praias de areias branquinhas e mar cristalino e repleta de monumentos históricos que retratam o passado dos vários povos que ali passaram e deixaram um pouco de sua identidade cultural: esta é Cagliari, a capital da ilha de Sardenha.

Favorecida pela sua posição geográfica, o Golfo de Cagliari foi o ponto de entrada para as civilizações Fenícia,Cartaginesa, Romana e Espanhola que deixaram suas marcas nos monumentos e no modo de vida dos cerca de duzentos mil habitantes da cidade.

Um dos atrativos de destaque de Cagliari são as muralhas ao redor da colina, construídas no período de dominação de Pisa. Na época, o complexo chamado “Castello” era o centro de escritórios públicos e local de moradia dos cidadãos vindos de Pisa. Ali encontram-se as duas torres medievais construídas em pedras brancas, a Torre de S. Pancrazio e a Torre do Elefante, ambas projetadas pelo arquiteto Sardo Giovanni Capula.

Por volta de 1324, a frota de navios do reino de Aragon atacou o Golfo de Palmas e dai então iniciou-se a dominação Ibérica na cidade de Cagliari. Deste período os habitantes da cidade conservam o costume de tirar aquele breve cochilo apos o almoço: a famosa siesta, além da indumentária típica folclórica que consiste em um manto vermelho bordado e decorado com laços prata que cobre a cabeça e os ombros (este remanescente do estilo de vestir das mulheres catalãs e ali chamado de tiazzola), um avental cobrindo a longa saia e um corpete de mangas longas. Já os homens usam indumentárias que representam seu estilo tradicional de vida, por exemplo os  s’arrigatteri (mendigos) usam um boné preto e longo ate os ombros, um lenço e uma veste em cima de uma camisa branca, jaqueta preta, saia curta e calcas na altura dos joelhos com botas. Os carradori (carroceiros) usam seus bonés vermelhos, jaqueta com botões prateados, enquanto os piscadori (pescadores) usam uma jaqueta azul, uma faixa na cintura, calças vermelhas e uma veste florida de seda.

A cidade ainda possui uma das únicas lagoas urbanas repletas de flamingos, estes, que até pouco tempo atrás passavam ali somente os meses de primavera e verão no período de migração, acabaram encontrando um habitat favorável para viver e tornaram-se patrimônios da Sardenha.

Agora, os animais que fazem o maior sucesso nestas bandas são as ovelhinhas que produzem a matéria prima do famoso queijo exportação peccorino (ovelha pequena) e fazem parte da culinária local como o sa cordula, um prato composto de intestino de ovelha com ervilhas ou servidos com outros tipos de carne. Outro prato típico da região  é o sanguinaccio, uma salsicha de sangue de porco preparada com uvas passas e açúcar, servida cozida ou assada, além das tradicionais pastas e peixes.

Antes de fazer cara feia para estas especialidades, lembre-se que tudo nesta vida é uma questão de cultura e gosto pessoal, por isso vale sempre a pena experimentar antes de sair por ai julgando o sabor das coisas. E falando em sabor, a região é produtora de um dos vinhos mais saudáveis e deliciosos da Itália, rico em polifenois e tanino, o Canonau é considerado um dos grandes responsáveis pela longevidade dos habitantes da Sardenha, os quais tem o hábito de tomar um copo do vinho no almoço e no jantar e chegam a viver mais de 100 anos .

Pra dizer bem a verdade, se eu tivesse 12 quilômetros de praias com areia branquinha,  mar cristalino com uma média anual de 25 graus, ruas repletas de jacarandás e bunganvilles, uma mesa farta de peccorino, prosciutto, pasta, sa cordula, sanguinaccio, gelato, canonau e uma humilde casinha em Cagliari, certamente não faltariam razões para querer viver muito mais de 100 anos.

E como viver significa também compartilhar momentos de alegria, na minha visita a Cagliari tive a oportunidade de participar de um casamento típico dentro das muralhas de Castello. Estava eu passeando pelo distrito murado quando percebi que a Catedral estava repleta de convidados e os noivos prestes a deixar o altar. Assim sendo, eu e grande maioria dos turistas que ali estavam no momento não perderam a chance de entrar na igreja e presenciar a cerimônia com direito a uma chuva de arroz nos noivos, a quebra de pratos na saída da igreja e um simbólico gesto de amor eterno dos pombinhos que deixaram voar aos céus diversos balões em forma de coração.  Deste episódio digo-lhes que a parte mais doce foram os caschettes ou dolce della sposa, docinhos feitos com uma massa branca e recheados com mel e nozes, os quais acabei provando e aprovando neste inesperado casamento sardo.

noivos

dolce della sposa

Quer receber mais dicas de viagem?

Então curta nossa página no Facebook.

Siga o @turisnews no Twitter.

Não seja egoísta, compartilhe com seus amigos!

Anúncios

Uma resposta para “O segredo da longevidade em Cagliari

  1. Pingback: Costa Esmeralda: o refúgio nada secreto de Berlusconi | VIAGENS PELO MUNDO·

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s