Os bons ares de Yalta


Numa manhã tranquila de outuno, visitei a cidade histórica de Yalta, situada no Sul da Ucrânia na costa setentrional do Mar Negro.

A cidade, que no passado foi escolhida como residência de verão dos antigos czares russos, hoje é um centro de bem estar e cura para as enfermidades respiratórias devido às propriedades terapêuticas do ar que provem das centenas e milhares de árvores espalhadas pelas montanhas e parques em torno da cidade. Esta localidade cercada pelo mar e repleta de parques foi também palco da famosa Conferência de Yalta, ocorrida em fevereiro de 1945, quando os três senhores do Mundo – Roosevelt, Churchill e Stalin – decidiram a partilha do mundo entre os Três Grandes, nas vésperas da vitória final da Grande Aliança sobre as forças do Eixo.

Um passeio pelas ruas de Yalta pode trazer sensações diversas, como a calma e a tranquilidade de uma cidade encravada a beira de um penhasco à beira mar, assim como um pouco de pânico ao deparar-se com um idioma totalmente diferente com um certo ar inquisitor e amendrontador.

Digo isso porque, a grande maioria dos habitantes fala somente o idioma ucraniano e russo, que por sinal tem um alfabeto bem diferente do nosso e um tom bem ríspido, o que causa um certo espanto ao primeiro contato. Digo francamente que quando visito um país onde não conheço o idioma, aprendo sempre a dizer algumas palavras de cortesia para evitar ter uma sensação desagradável e confesso que, o idioma une as nações, pois uma simples palavra pode mudar o modo como uma pessoa é tratada em diversas ocasiões durante uma viagem.

No caso da Ucrânia aprendi que um simples “Spaziba” (obrigado) é mais que suficiente para uma recém chegada aproveitar o que a cidade tem de melhor.

Então vamos lá para as minhas dicas desta cidade…

Sentada em um café em estilo parisiense junto com meus amigos (um mexicano, uma francesa e uma uruguaia), confabulamos sobre o verdadeiro sentido de uma viagem como aquela e chegamos a conclusão que: nos tempos de escola toda a história contada nos livros nos parecia algo difícil de entender, porém naquele momento, ao ver com os próprios olhos, tudo parece ter mais sentido e a história passa a fazer parte da sua vida.

Isso tudo ocorre porque quando visitamos um país e uma nova cultura nos deparamos com realidades tão diversas que automaticamente nos damos conta de como a nossa pátria é bem mais que um simples pedaço de terra.  Ao comparar nossos costumes e nossas origens nos damos conta de que existem muito mais semelhanças do que diferenças entre as nações e a única coisa que nos pertence verdadeiramente como cidadãos de um país são os nossos valores culturais, pois o resto se interliga e faz parte da história da humanidade.

Neste clima de descobrimento histórico conheci 2 lugares fascinantes em Yalta:

1. O ninho das andorinhas: um palácio medieval construído em cima de um penhasco com vista para o mar.

2. O Palácio Alessandro II em Massandra: um elegante edifício em estilo barroco que acolheu a família real russa dos Romanoff e que conta com uma suntuosa decoração, documentos e fotografias da época.

A sensação que tive ao entrar no palácio foi sensacional. Em meio a um bosque de pinheiros e um jardim repleto de rosas vermelhas, uma violinista nos recebeu no portão de entrada ao som do famoso Tango “por una cabeza”. Lá dentro do palácio, uma decoração de extremo bom gosto em estilo neoclássico e barroco com as fotos dos czares, czarinas e seus descendentes em trajes da época e uma incrível aparência de felicidade. Não era pra menos, tendo uma residência daquelas em um lugar tranquilo, respirando um ar puríssimo dá até pra entender porque este gatinho resolveu morar ali e passar seus longos dias descansando em uma poltrona, enquanto os milhares de turistas descobrem o passado histórico da família Romanoff.

3. Antes de me despedir de Yalta, um último respiro para oxigenar os pulmões, seguido de um almoço típico composto de uma deliciosa Borsch (uma sopa de beterraba, cenoura, batatas, carne, cheiro verde e uma colher de iogurte natural) e uma torta de cerejas com sorvete de nata para fechar o dia com chave de ouro e levar um pouquinho da história e do sabor desta cidade para toda a vida.

Spaziba Ucrânia!!!!

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3 Respostas para “Os bons ares de Yalta

  1. Simplesmente não acredito, justamente Por una cabeza????? Minha ´música, meu tango, minha história milonguera?
    E, para terminar, fiquei louca de vontade de provar essa comida agora… além de encher os pulmões como se estivesse nesse lugar lindo e tão bem delineado por vc neste texto embriagante de história e sensações tão bem definidas. “Acho que eu vi um gatinho”. Viaje todos os dias para que eu possa viajar tb, ainda q seja em texto… Luiza

  2. Pingback: Sopa Borsch Russa de beterraba | Os sabores do mundo·

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