Istambul: uma cidade entre dois continentes


Uma miscelânea de cores, sabores e cheiros em uma cidade cosmopolita e intrigante, dividida pelo Bósforo e o ponto onde o Oriente exótico e o Ocidente se separam apenas por uma ponte (com 38 quilômetros de extensão): esta é apenas uma mera descrição da esplendida Istambul.

A primeira vista a cidade já fascina pela suntuosidade dos seus principais atrativos turísticos como: a Mesquita Azul, o Grand Bazar, o PalácioTopkapi e a basílica Ayasofya, além da sensação incrível de aventura e mistério dos seus bazares medievais, suas ruínas romanas, seus banhos turcos e as ruas sempre movimentadas do bairro de Sultanahmet onde concentram-se a maioria dos turistas, atrativos, restaurantes e o pulsar da cidade.

O fascínio e a multiculturalidade de Istambul não é por acaso; ela já foi a capital dos Impérios Romano, Bizantino e Otomano e hoje exerce um fascínio no imaginário coletivo de milhares de pessoas e culturas.

Vou ser sincera em dizer que mesmo depois de deixar a cidade ainda sinto o perfume, os sons e a energia de Istambul cada vez que fecho os olhos e lembro dos momentos que passei ali.

Meu primeiro contato com os ares de Istambul foi através de um cruzeiro pelo Bósforo. O passeio é feito em um barco pequeno e inicia-se no centro histórico diretamente ao Mar de Mármara onde encontra-se a parte asiática da cidade. Ali é possível admirar os bairros de Uskudar e Kuzguncuk, com suas ruas e casas construídas em madeira.

Durante a navegação passamos pelo bairro de Ortakoy e pela Torre de Leandro, localizada na pequena ilha de Kiz Kulesi, além do Palácio de Beylerbeyi, a residência de verão dos sultões otomanos.

Neste clima de deixa a vida me levar no balanço do mar, experimentei o Elma Txai (chá de maçã) e um suco de romã que o insistente garçom não parava de oferecer e praticamente me obrigou a tomar mais de um (o que parecia ser uma cortesia na verdade tinha um fundo de especulação turística, pois o safado me cobrou 5 euros no final do passeio, mas sinceramente falando pra quem estava passeando de graça aquilo foi mais um presente de turco!).

No final do passeio, tive mais uma horinha livre para conhecer o bazar de especiarias, localizado bem em frente ao pier de onde partem os barcos. O bazar é simplesmente uma perdição aos sentidos; milhares de temperos, doces, frutas, comidas, decorações, souvenires e as mais variadas futilidades que podem levar qualquer ser humano a falência. E olha que eu ainda nem estou falando do famoso Grand Bazar que é muito maior que este.

Porém, antes de pensar em falar sobre esta aventura de compras vamos conhecer um pouquinho da história (bem mais interessante) dos atrativos desta cidade fascinante:

Ayasofia (Igreja de Santa Sofia): segundo o testamento deixado pelo imperador Justiniano, ela foi originalmente construída por Constantino, sendo considerada na época (por volta de 537 dC) a mais alta e com a maior cúpula. O que chama a atenção em Ayasofia é a sua grandiosidade, os seus mosaicos bizantinos e a sua transformação ao longo dos anos, pois ela já foi uma igreja, uma mesquita e hoje transformou-se em um museu.

Palácio Real: localizado ao lado de Ayasofya, logo na sua entrada à esquerda encontra-se o famoso harem do sultão onde ele mantinha suas cerca de 500 mulheres como amantes. A maioria delas eram escravas enclausuradas e treinadas pelos eunucos, homens negros castrados do norte da África, os únicos a ter acesso a elas.

Mesquita Azul ou Mesquita do Sultão Ahmet: construída em estilo clássico otomano entre os anos de 1609 e 1616, a mesquita azul recebe este nome devido a sinfonia dos seus maravilhosos azulejos e vitrais em tons de azul que formam lindos mosaicos.

No passado, os imperadores bizantinos construíram um grande palácio, onde hoje encontra-se a mesquita azul, porém em 1606 o sultão Ahmet quis construir uma mesquita maior que a Igreja de Santa Sofia e ai esta o resumo de sua obra que abriga na atualidade a tumba do seu fundador, o sultão Ahmet, uma escola islâmica (madras) e um hospício.

Palácio Topkapi: construído por Mehmet II, logo após a conquista de Constantinopla em 1453, este palácio foi a residência de sultões e atualmente abriga uma exposição de objetos de ouro, jóias, cerâmica, roupas e relíquias sagradas para os muçulmanos como: os pelos da barba e a marca do pé do profeta Maomé.

Estação do Expresso Oriente: esta estação, localizada nas proximidades do porto, foi por muitos anos o ponto de chegada do famoso trem Expresso Oriente que fazia a rota Paris-Istambul. Apesar de ainda estar em funcionamento, a estação não é mais o símbolo da aristocracia da época, porém em uma sala anexa possui um restaurante bem místico que oferece um show hipnótico com os dançarinos da religião Sufi, uma linha sefardita do islamismo, onde eles giram o corpo em torno de si mesmos por cerca de 20 minutos até entrar em transe e elevar seus espíritos a um nível superior.

Mesquita Ottomana Rüstem Pasha: foi projetada em 1561 pelo arquiteto Mimar Sinan para o Grand Vizir Damat Rustem Pasha com elementos decorativos lindíssimos na cor vermelha, dispostos de maneira sutil para formar desenhos florais e geométricos, característicos do período Iznik (1555/1620). Esta mesquita foi construída sobre um terraço alto cercada por vários bazares.

Cisterna Basílica: a maior de todas as numerosas cisternas do subsolo de Istambul, com cerca de 336 colunas de mármore onde é possível admirar o rosto de Medusa, localizado no lado norte – ocidental da cisterna, provavelmente ali colocado para propagar o poder do olhar da Gorgone.

Grand Bazar: certamente um lugar para perder os sentidos e deixar de ser mão de vaca. Não há quem resista as milhares de tentações e opções de compras neste bazar de dimensões gigantescas e labirínticas vias de acesso aos mais variados tipos de produtos, ofertas e marcas (a maioria falsas com um estilo bem verdadeiro). Porém, antes de empolgar-se com as compras, é bom lembrar que a regra aqui é a barganha e a pechincha, senão você acaba levando gato por lebre e o barato pode sair bem caro.

Sou sincera em dizer que não gosto nem um pouco de barganhas e quando o vendedor me diz um preço mais alto do que o produto realmente custa eu caio fora e se ele se arrepender depois vai ser tarde porque nem de graça eu vou levar o produto. Isso porque essa coisa de ficar pechinchando e tentando convencer que o preço não é justo e tal pode custar horas preciosas que podem ser usadas para conhecer lugares e coisas bem mais interessantes da cidade. Em todo caso há pessoas que adoram uma pechincha e são capazes de gastar horas até conseguir uma boa compra.

Hamam: esta seguramente é a visita que vale muito a pena, principalmente depois de vários dias percorrendo os labirínticos bazares de Istambul. Estou me referindo ao famoso banho turco onde os pobres mortais podem deitar em uma plataforma centenária de mármore e se deixar pisotear, massagear e relaxar com as técnicas surpreendentes dos massagistas que são capazes de fazer milagres com sua coluna, torcendo o seu corpo inteiro e andando pelas suas costas. Um dos banhos turcos mais famoso com cerca de 600 anos chama-se Cemberlitas e fica no antigo bazar da cidade.

Comida Típica: depois de conhecer uma nova cultura, nada melhor que experimentar o prato típico local e deliciar-se com o saboroso kebab turco, que consiste em fatias finas de carne assada no espeto, servida dentro do pão com cebola crua, molho chili e salada.

Depois de tantas descobertas, infelizmente tive que deixar a cidade e continuar meu roteiro, no entanto levo comigo um pouco da história e o fascínio desta cidade que é hoje uma mistura de passado e presente, modernidade e tradição. Porém a marinheira que vos escreve adverte: antes de pensar em conhecê-la esteja ciente que a beleza e o mistério de sua arquitetura, o colorido de seus bazares e a tradição do seu povo podem deixar marcas profundas na sua vida e até mudar o seu modo de ver o mundo.

Se você quiser mergulhar a fundo no mundo dos sultões não deixe de ler o livro “O Selo do Sultão” de Jenny White – Editora Record. #ficaadica

Hotéis em Istambul

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s