Carnaval: a festa da carne!


Nesta semana de festas e celebrações do tão famoso e esperado Carnaval, tomei a liberdade de fazer uma pesquisa para descobrir um pouco mais sobre esta festa que, principalmente aqui no Brasil, reúne milhares de pessoas em busca de diversão, folia e a sonhada liberdade.

Desde a antigüidade, o Carnaval faz parte das festas populares e tem um significado bem peculiar ligado a essa tal liberdade. A sua celebração faz parte do calendário católico, pois é o período que antecede a Quaresma, destinado a penitência e abstinência de carne, dai o significado da palavra que vem do do latim (carnis= carne; vale = adeus).

No entanto, a origem das comemorações do Carnaval são bem mais primitivas e podem ser associadas aos festejos da chegada da primavera no Hemisfério Norte, com as bacanais (celebrações ao Deus grego do Vinho: Baco) ou as saturnais (festas em honra ao Deus Romano da Agricultura: Saturno).

Sejam ela pagãs ou cristãs, milhares de pessoas em diversos países do mundo, buscam na alegria e nos festejos do Carnaval um motivo para libertar seus males e deixar fluir tudo aquilo que esta preso ou escondido dentro do próprio ser. Nestas celebrações fica evidente que os mais íntimos desejos de liberdade dos seres humanos afloram, a começar pelas milhares de enfermeiras, diabinhas, coelhinhas e outras inhas, sem contar com os He-man, Superman, e outros mans que desfilam suas fantasias pelos blocos e clubes em momentos de pura excitação a flor da pele.

A festa que antecede a abstinência da carne torna-se a verdadeira exaltação do corpo e a extinção dos males da alma. No Brasil, a celebração do Carnaval começou nos tempos da colônia portuguesa como uma singela batalha de foliões que atiravam ovos, farinha, água, tomates e uma série de porcarias nas humildes pessoas que passavam pelas ruas, atitudes estas que ainda hoje são lembradas nos blocos carnavalescos através das serpentinas e confetes.

Por volta de 1840 tivemos os primeiros bailes embalados ao som de canções lusitanas, da polca e os ritmos do carnaval italiano, evoluindo das marchinhas carnavalescas para o frevo, até chegar ao grande espetáculo do Carnaval brasileiro que tem como sua principal característica a diversidade e a popularidade.

Dentre as principais formas de celebração desta data, particularmente, posso destacar aquelas que mais me chamaram a atenção em quatro cidades diferentes:

CARNAVAL NO RIO DE JANEIRO:

O samba desceu o morro, chamou a atenção da alta sociedade e ganhou a vitrine do mundo nos passos das mulatas e dos samba enredos das escolas do Rio de Janeiro. A primeira escola de samba surgiu ali, criada pelo sambista Ismael Silva e chamada Deixa Falar, mais tarde transformou-se na escola de samba Estácio de Sá e abriu as portas para o surgimento de uma das mais conhecidas e prestigiadas atrações turísticas no país e no exterior.

Um espetáculo da cultura brasileira que envolve comunidades, carnavalescos, políticos, astros e estrelas e uma grande soma de dinheiro para a montagem dos desfiles luxuosos e cada vez mais surpreendentes na Marques de Sapucaí.

Ao passar por uma rua do centro do Rio encontrei esta escultura que talvez simbolize o valor que o samba teve para o carnaval da cidade: do metal frio e sem vida com um simples toque surge a sensualidade e a dança (ao pular na escultura ela se move como se a mulata estivesse sambando).

CARNAVAL EM SALVADOR:

Imagine que Dodô e Osmar começaram esta festa tocando frevo em cima de um calhambeque Ford T1929, arrastando alguns foliões em busca de diversão pelas ruas de Salvador. Começava ali uma das celebrações carnavalescas mais populares da Bahia.

Hoje, ao som de vários artistas locais de renome internacional como Carlinhos Brown, Timbalada, Daniela Mercury, Gilberto Gil, Grupo Olodum, milhares de foliões seguem os trios elétricos em busca de diversão, alegria e o famoso axé baiano. Para quem quer cair na folia em um bloco de rua tradicional, basta subir e descer as ladeiras do pelourinho e não perder o ritmo.

Há cinco anos tenho passado o Carnaval em Salvador e a cada ano me impressiono com a energia das multidões e a beleza de um carnaval que une raças, cores e credos e democratiza o acesso ao povo que faz parte da festa.

 CARNAVAL EM RECIFE:

Pensou no Carnaval de Recife, lembre-se automaticamente do ritmo do frevo, o ferver dos foliões pelas ruas de Recife exibindo seus passos rápidos com coreografias livres e improvisadas e o famoso guarda-chuva colorido. Um explodir de folia e energia nos dias de Carnaval que atravessam os dias e as madrugadas e arrastam milhares de pessoas pelas ruas antigas do centro histórico da cidade.

Logo ali, do outro lado da ponte dos Rios Capiberibe e Beberibe, fica a cidade de Olinda com os seus famosos desfiles dos bonecos gigantes e a dança do Maracatu: homens que carregam bonecos e fantasias bastante pesadas descendo e subindo ladeiras e que dão o toque especial deste carnaval alegre e colorido de Pernambuco.

CARNAVAL EM VENEZA:

E antes que digam que não falei do óbvio, deixo aqui meu comentário sobre o renomado Carnaval de Veneza, certamente um dos mais elegantes com seu estilo elitista e intelectualizado, inspirado nos bailes de máscaras que aconteciam nas mansões e palácios do Grand Canale, na elegância dos trajes do Sec XVII e XVIII e nas animadas orquestras, além dos passeios em gôndolas pelos estreitos canais da cidade.

Parece tudo muito romântico para uma festa de carnaval? Pois antes de desprezar esta celebração all’ italiana lembre-se que muitos relatos e até mesmo filmes nos mostram que por trás de uma máscara podem esconder-se desde a mais ingênua tentativa de sedução até um completo adultério. Não é a toa que as máscaras foram proibidas no início do Séc XVII e só voltaram a ser encorajadas por volta de 1980.

Ainda bem, porque para aqueles que pretendem admirar o luxo das roupas e a beleza destas máscaras vale a pena enfrentar o frio da época e as freqüentes inundações da eterna Veneza para descobrir os seus enigmas e mistérios.

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2 Respostas para “Carnaval: a festa da carne!

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