Buscando inspiração e calorias em Nova York


Até pôr os meus pézinhos em Nova York pela primeira vez a única coisa que me vinha na cabeça era a voz de Alicia Keys na canção Empire State of Mind

New York,
Concrete jungle where dreams are made of,
There’s nothing you can’t do,
Now you’re in New York,
These streets will make you feel brand new,
Big lights will inspire you,
Let’s hear it for New York, New York, New York

E depois de chegar ao aeroporto La Guardia que fica a cerca de 30 minutos do centro (isso levando o tempo normal de uma cidade) eis que minha paciência já estava quase se esgotando com as três horas perdidas em meio a um trânsito caótico que não andava de jeito nenhum. Juro que se não fossem as minhas aulas de meditação e Yoga eu teria mandado o motorista da van para aquele lugar quando ele, passando pela Times Square e rindo na minha face, mostrou o Naked Cowboy que se apresentava em seus trajes de banho em meio a uma multidão toda sorridente (depois de ver o Oil man desfilar seu corpitcho nada sensual pelas ruas frias de Curitiba acho que a última coisa que eu queria ver naquele momento em Nova York era o tal cowboy). Mas enfim, depois do parto eis que cheguei no Hotel Pennsylvania, que apesar de seus quartos bem antigos é uma opção sensacional para quem quer ficar no centro do furacão da cidade que realmente não dorme, tomei um bom banho e já estava batendo pernas pela 7th Avenue a procura de um restaurante à altura da minha fome. E eis que por um bom motivo resolvi entrar na Heartland Brewery (8th Ave. na 41st.) que é considerada uma das melhores cervejarias da cidade e serve ainda os tradicionais e suculentos hamburguers americanos (o meu favorito certamente é o Kobe Burger com uma tenra e deliciosa carne vermelha).

Os personagens de rua naked Cowboy (NY) e Oil Man(Curitiba)

Os personagens de rua: Naked Cowboy (NY) e Oil Man(Curitiba), qualquer semelhança não é mera miopia mesmo.

Inter

Interno da Heartland Brewery

Delicioso Kobe Burger

Delicioso Kobe Burger

Passado o sufoco inicial e bem alimentada eu já estava com um novo olhar para a cidade e comecei a gostar da concrete jungle (selva de concreto) e no dia seguinte logo cedo já estava embarcando em um daqueles ônibus de turismo para desbravar a cidade como se deve (bilhete com direito a descer e subir no ônibus quantas vezes quiser custou $59 com validade para 4 dias).

No primeiro dia fui conhecer os bairros tradicionais de Chinatown e Little Italy, ambos muito interessantes no quesito opções de restaurantes para quem não vive sem uma comidinha chinesa ou uma deliciosa pasta. Os dois bairros fazem divisa um com o outro e a Chinatown está cada vez mais “engolindo” a já pequena vizinha, além de ter se tornado o reduto dos muambeiros que não perdem a oportunidade de comprar perfumes, bolsas e quinquilharias falsificadas que são oferecidas desde que se põe o pé na Canal Street.

Chinatown e Little Italy.

Rua onde Chinatown e Little Italy.. se encontram

Depois de rodar um pouquinho pelos dois bairros segui o passeio até Chelsea, um dos distritos nova-iorquinos de arte contemporânea colonizado por galerias de arte a partir dos anos 90 e que hoje é cercado por um mix de cartões postais antigos e novas estruturas arquitetônicas, restaurantes, lojas, salões de beleza além de ser um reduto de jovens, artistas, gays e o ponto de partida para um belo café da manhã no Mercado de Chelsea (75th Ave). Apesar de ser um mercado bem atrativo e um bairro legal, o meu primeiro café-da-manhã mesmo em grande estilo na cidade foi no Bluestone Lane (55 Greenwich Ave.) já na região de Greenwich Village onde encontrei uma atmosfera muito londrina com cafés e sanduíches deliciosos e uma comunidade de frequentadores, digamos: super posh!!!

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Bluestone Lane

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Pão com cogumelos dourados, queijo de cabra e azeite de oliva.

Café Blustone

Café Blustone Lane

Depois de matar a fome chegava a hora de caminhar mais um pouquinho e conhecer a região de Wall Street e a famosa estátua do touro (Charging Bull), uma escultura em bronze de 3.200 quilos feita pelo artista Arturo di Modica que representa o otimismo financeiro e a prosperidade de Wall Street. Reza a lenda que devemos passar a mão nos chifres e nas bolas do touro para ter sorte e não se admire ao ver a escultura mega lotada e quase impossível de se fazer uma única foto sem uma multidão ao seu lado.

O famoso touro da sorte.

O famoso touro da sorte.

Logo em frente à estátua do touro fica o Museu Nacional do Índios Americanos (entrada gratuita) que conta com uma infinidade de artefatos e utensílios utilizados pelos índios na América (inclusive no Brasil) e ainda uma sala onde podemos assistir às danças típicas destas comunidades. Certamente uma visita que valeu super a pena seja pela arquitetura do prédio que abriga o museu ou pelo conteúdo que ela dispõe aos visitantes.

Um vestido elaborado com papel que representa a mulher na sociedade

Um vestido elaborado com papel em exposição no Museu Nacional dos Índios Americanos

A região de Wall Street também é o ponto de partida para os passeios até a ilha onde está a Estátua da Liberdade (passeio de barco custa $18 adultos) e também para aqueles que preferem evitar filas enormes, vê-la somente um pouquinho mais de perto e ainda não pagar nada. Para isso basta pegar o ferry no terminal Whitehall, atravessar até Staten Island e aproveitar o passeio para tirar belas fotografias de uma das estátuas mais famosas do mundo.

Vista da estátua da Lib

Vista da estátua da Liberdade desde o ferry para Staten Island em um dia nublado.

O segundo dia em Nova York começou logo cedo com destino ao Brooklyn, um bairro fora da ilha de Manhattan que até pouco tempo era o refúgio daqueles que não conseguiam pagar um aluguel na ilha, sendo hoje um dos mais procurados por artistas e intelectuais. Para chegar ao bairro dá para atravessar a ponte do Brooklyn a pé (já que o trânsito de carros é proibido nela) ou pela ponte Manhattan de onde se tem uma vista maravilhosa tanto do bairro quanto de Manhattan e a Estátua da Liberdade. O Brooklyn foi um dos bairros que mais gostei nesta viagem porque além de ter uma atmosfera super animada no verão é um ponto de encontro tanto para os moradores locais quanto para os visitantes, basta dar uma passadinha pelo D.U.M.B.O (District Under the Manhattan Bridge Overpass) o lugar abaixo da travessia da Ponte de Manhattan onde está o parque do bairro com uma das vistas mais legais da cidade.

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Vista de Manhattan e seus arranha-céus ao passar a ponte para o Brooklyn.

Ponte do Brooklyn vista do DUMBO.

Ponte do Brooklyn vista do DUMBO.

O bairro também possui uma infinidade de opções de lojas, brechós e restaurantes de diversas partes do mundo, inclusive foi ali que encontrei o Libertador, um restaurante argentino com as melhores empanadas, parrillas e um crepe de frutas que por si só já valeriam a visita ao Brooklyn.

Restaurante Libertador (400 Henry St)

Restaurante Libertador (400 Henry St)

Crepe de frutas do Restaurante Libertador.

Crepe de frutas do Restaurante Libertador.

Buscando inspiração no Brooklyn para parar de entrar em restaurantes e continuar a caminhada.

Buscando inspiração no Brooklyn para parar de entrar em restaurantes e continuar a caminhada.

Ao voltar para Manhattan no final da tarde o guia se despediu do Brooklyn com nada mais nada menos que a música de Alicia Keys citada no início deste relato e aquilo pra mim foi como entrar no clip e sentir a cidade mais viva e inspiradora. Depois de deixar o meu bairro favorito para trás era chegada a hora de explorar o centro de Nova York a noite passando pela Times Square, Broadway  e o Empire State Building para encarar o vai e vem de pessoas sem fim e os letreiros gigantes em mega painéis que para a minha pessoa significam somente uma coisa: poluição visual e uma chatice sem fim.

Empire State Building iluminado.

Empire State Building iluminado.

Times Square

Times Square

Eu já estava satisfeita com o que tinha visto até ali, mas nos dias seguintes da viagem ainda tive que lutar contra a incrível vontade de visitar restaurantes que me possuiu e tenho que ser sincera em dizer que manter o peso em uma cidade como Nova York é praticamente impossível, isso porque uma cidade cosmopolita e cheia de estrangeiros dá nisso: cada um traz consigo o que seu país tem de melhor e aí meu filho problema de quem esta de dieta ou não quer experimentar esta babilônia de sabores. E foi no Restaurante Babbo (110 Waverly Pl) que eu e minha amiga Cris tivemos uma surpresa, estávamos perambulando a noite por uma rua de Greenwich Village quando vimos uma portinha com um cardápio italiano dando sopa e aí foi só entrar para descobrir um outro mundo dos sabores. O restaurante tinha lista de espera, mas valeu cada minuto até provarmos uma deliciosa papardelle a bolognesa com direito a vinho e mini prato degustação de sobremesa.

Retsaurante Babbo já com uma fila de espera gigante às 20:30.

Restaurante Babbo com sua fila de espera na calçada às 20:00.

E como uma visita a Nova York não seria completa sem um passeio pelo Central Park, decidi deixar o Domingo livre para provar desta experiência digamos bem nova-iorquina e depois de uma breve caminhada prolonguei o passeio até o Harlem, um bairro super cultural, antigo assentamento dos holandeses que chegaram à ilha com a Companhia das Índias e hoje transformou-se em um reduto comercial dos afro-americanos onde vendem produtos típicos como as tradicionais roupas multicoloridas africanas.

Um cantinho do Central Park.

Um cantinho do Central Park.

E como não poderia deixar de ser, para fechar a estadia na cidade, uma breve passadinha pelo Outlet de New Jersey, a cidade que fica a 30 minutos de Manhattan e oferece opções de compras a preços bem mais em conta devido à taxação diferenciada de Nova York, além de um grande e delicioso hamburguer no almoço no NYY Stake (7 west 51st st. entre a 5th e 6th Ave) com direito ao boné oficial do time de futebol americano Yankees grátis e a tacada final noturna no Slattery’s Midtown , um pub tradicional irlandês ao som de U2 e uma clientela a ponto de cortar-se as veias em plena segunda-feira, para acabar de vez com qualquer tipo de dieta ou vontade de comer.

NYY Stake.

NYY Stake.

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E foi neste clima de descontração e delírio gastronômico que a viagem a Nova York se encerrou com direito a mais uma saga de acordar as 04:00hs da manhã para chegar em tempo ao aeroporto e ainda ter o gostinho de tomar um café no Starbucks para não perder o costume da gula nas terras do tio Sam e voltar para casa com excesso de peso, mas sentindo-se por alguma razão brand new (renovada).

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