Aprendizado em Munique – Parte 2


Mais uma semana de Oktoberfest em Munique e haja pique e cerveja para contentar a todos, porém o assunto da semana na cidade não podia ser outro senão a visita da chanceler alemã Angela Merkel que estará na cidade justamente nesta quarta-feira dia 3 de Outubro para as comemorações do Deustches Einheit (o dia em que a Alemanha deixou de ser dividida em Alemanha Oriental e Ocidental e passou a ser um só pais). Para esta visita, além dos milhares de turistas que todos os dias lotam os metrôs a caminho da Oktoberfest, a cidade vai contar com um policiamento extra de 3000 homens que ajudarão a manter a ordem durante a visita das autoridades alemãs que terão que enfrentar vários protestos de diversos grupos que estarão presentes na comemoração.

A crise econômica na Europa afeta milhares de pessoas e o desemprego cresce vertiginosamente em países como Grécia, Espanha, Portugal e Itália e como conseqüência disso, as manifestações tendem a aumentar cada vez mais.

Apesar da crise mundial tão comentada nos jornais de todos os países, podemos perceber que o segmento de viagens e turismo continua alavancando o mercado internacional, gerando empregos e garantindo capital externo para diversos países. So para se ter uma idéia, aqui em Munique durante as duas semanas da Oktoberfest um garçom ou garçonete podem ganhar ate 5000 euros, enquanto que os hotéis, bares, restaurantes e até mesmo o sistema de transportes dobram seu numero de funcionários para atender aos clientes sedentos pelo consumo. Sem contar com os demais empregos diretos e indiretos que esta grande festa pode gerar.

Posso parecer pragmática ao dizer isso, mas todos os estrangeiros que conheço por aqui estão eufóricos esperando os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo no Brasil e, certamente chegarão ao nosso pais sedentos para consumir. Quer queira ou não, com altos ou baixos custos, a favor ou contra a vontade de algumas pessoas, esses eventos serão realizados e nos brasileiros precisamos estar preparados para receber com segurança e profissionalismo porque quando olhamos para a grama do vizinho (neste caso a Europa) achamos que o nosso pais possui os piores problemas do mundo, no entanto mal conhecemos a realidade alheia e passamos a criticar por completo o nosso sistema.

Basta lembrar que durante os Jogos Olímpicos de 1972 em Munique, houve um massacre contra a equipe de atletas de Israel, levando a morte  11 atletas israelenses, um policial e cinco terroristas palestinos. O evento que poderia ter sido uma reconciliação do pais após a Segunda Guerra Mundial teve uma repercussão bastate negativa o que levou a Alemanha a re-examinar seu sistema de combate anti-terrorista e aumentar a segurança no pais.

Aqui na Alemanha todos pagam impostos de acordo com a renda mensal, no entanto todo e qualquer tipo de serviço hospitalar ou sistema escolar básico também é pago, só que de acordo com a renda de cada pessoa, ou seja, quem ganha mais paga mais. Agora eu pergunto, será que o nosso sistema publico será capaz de agüentar quanto tempo ao assistencialismo? Ou melhor dizendo, será que as pessoas estariam preparadas para uma mudança de sistema?

Aqui na Europa enquanto milhares de pessoas fazem passeatas nas ruas pedindo mais oportunidades de emprego, outras milhares pagam 10 euros por um litro de cerveja e outras tantas fazem filas quilométricas em frente as lojas da Apple para comprar o novo Iphone 5.

Talvez ainda hoje haja uma linha invisível que divide o mundo entre capitalistas e socialistas em constante combate de forças para provar quem é o mais forte, no entanto eu ainda prefiro acreditar que o conhecimento e a educação são os únicos caminhos que ainda podem salvar a humanidade e é por isso que eu escolhi esse caminho para a minha vida (sem Iphone).

Jeder, der sich die Fähigkeit erhält, schönes zu erkennen und zu geniessen wird nie alt werden.

Qualquer pessoa que mantém a capacidade de ver e aproveitar nunca vai ficar velho.

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Uma resposta para “Aprendizado em Munique – Parte 2

  1. A visão de mundo amplia cada dia que estudamos, estudamos, conhecemos novas culturas e nos inserimos num nixo pequeno, que só tem lugar para os não alienados. Falar sobre cultura, economia, políticas econômicas e sociais é somente para os conectados. Parabéns pelo texto e forma como explorou e conectou assuntos interligados e interdependentes. Há pessoas nascidas no Rio de janeiro que ainda se veem como república, como capital, estão mergulhados e alienados por campanhas sobre a copa e a olimpíada. Há quem já afirmou que a Olimpíada pertence ao Rio de Janero e não ao Brasil.
    Que tal nenhum estado enviar pessoas, colaborações em espécie, em reais, em dólares?
    Como encontrarão soluções para conseguirem seus bilhões para produzir uma olimpíada em meio a um turbilhão, um dominó descarrilhando no mundo, na europa? Acorda brasil, acorda mundo, acorda gente. Mais uma vez parabenizo seu texto tão real, tão consciente, Claudia Sanzovo.

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