As fazendas de cacau de Ilhéus


Era uma vez uma família feliz que vivia numa casinha branca a beira do Rio Almada, onde todos os dias era possível passar na igrejinha para agradecer as dádivas da colheita de um fruto precioso: o cacau.

Esta descrição bucólica parece ter saído de um livro de contos, mas na verdade descreve a realidade de uma fazenda de cacau em Ilhéus na Bahia, que esta aberta a visitação para o deleite dos turistas: a fazenda Provisão.

Antes de mais nada, vou iniciar este conto do principio: Desde os tempos mais remotos, nas terras baixas do Golfo do México, a civilização Olmeca, os Maias, Toltecas e Astecas utilizavam o cacau como um alimento dos deuses, utilizado para a fabricação de uma bebida em rituais religiosos e as sementes como moeda de troca e referencial de valor econômico.

O navegador Cristóvão Colombo, durante a sua quarta viagem ao Novo Mundo, teria levado algumas sementes daquela preciosidade para o rei espanhol Fernando II, as quais na época passaram despercebidas no meio das demais riquezas.

Bem na verdade, os espanhóis não gostaram do sabor amargo daquelas sementes e, somente por volta de 1519, Hernando Cortez redescobriu o cacau durante a conquista do México, levando as suas propriedades e as ferramentas necessárias para o preparo aos espanhóis que lá pelas tantas descobriram o real valor das sementes e passaram a cultivar a planta nas recém terras mexicanas conquistadas.

A palavra cacau “theobroma” que em grego significa alimento do deuses, é uma planta equatorial a tropical que se desenvolve melhor a sombra de árvores maiores, precisa de chuvas regulares, solo profundo e fértil; uma árvore delicada, sensível a extremos climáticos e muito vulnerável a pragas e fungos.

E foi justamente por suas características que o cacau adaptou-se perfeitamente ao clima da região de Ilhéus na Bahia e durante o período colonial tornou-se o símbolo do poder no Brasil, com os barões do cacau comandando a economia da colônia e exercendo forte influencia política no país.

Na época, a produção de cacau utilizava basicamente mão de obra escrava nas lavouras e, considerando que uma árvore adulta pode produzir até 50 anos, o produto foi considerado o “ouro negro” da região por vários anos, até que na década de 60 a “vassoura de bruxa”, uma doença fúngica, levou os produtores a desistir paulatinamente da cultura comercial.

Hoje, existem apenas algumas poucas fazendas de cacau que encontraram no turismo uma nova forma de contar a história e mostrar as belezas de suas plantações e os sabores deste fruto e seus derivados como: o chocolate, o suco de cacau, os licores, etc.

As fazendas localizam-se na costa do cacau e os visitantes são recepcionados por um guia local que explica o processo desde o plantio até a produção do delicioso chocolate. Ao ver um cacaueiro nem podemos imaginar que as flores pequenas que brotam dos galhos e no tronco levam de 5 a 7 anos para se transformarem em frutos maduros. Depois de maduros, cada fruto contém em média de 20 a 40 sementes envoltas em uma polpa macia de cor parda.

Quando colhido, o cacau é aberto, as sementes separadas, fermentadas em barcaças de madeira de 3 a 8 dias (período este cujo objetivo é livrar a semente da mucilagem e destruir o embrião para evitar que a semente germine), logo em seguida as sementes são secadas de forma natural, espalhando-as ao sol e mexendo-as regularmente para que a sementes fiquem arejadas e não formem bolor.

Todo este processo é feito manualmente e produz um cacau de qualidade, utilizado para a fabricação dos mais deliciosos chocolates, que no caso de Ilhéus podem ser saboreados nas diversas lojas de chocolates caseiros que oferecem opções que vão desde os chocolates 100% cacau aos licores com suas propriedades afrodisíacas e curativas.

Já a visita na fazenda nos leva ao passado e nos faz sentir a tranqüilidade do local, nos remete a várias histórias de coronéis, jagunços, amores e traições que são muito bem representados nas obras de Jorge Amado, o símbolo cultural da região de Ilhéus.

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2 Respostas para “As fazendas de cacau de Ilhéus

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