Desde os tempos mais remotos, especificamente quando eu cursava o ensino médio, um dos meus sonhos de viagem era conhecer o Egito. Naquela época meu professor de história, o egiptólogo Mauricio Schneider (in memoriam), voltava de suas escavações por aquele país com a mala cheia de novidades para contar nas suas aulas de geopolítica e eu, assim como outros colegas, viajávamos com aquelas narrativas que traziam um gostinho de uma navegação lenta pelo Rio Nilo “uma dádiva do Egito”. Pois bem, nesse ano de 2026 tive a oportunidade de realizar esse sonho em um roteiro básico para conhecer um pouquinho dessa cultura milenar.
A chegada ao Cairo foi tranqüila, uma vez que o guia já nos esperava próximo ao balcão da imigração com o visto de entrada (US$ 25) e nos acompanhou até o carro que nos levaria para o Hotel Pyramisa Suites. É importante destacar que o trânsito na cidade é bastante caótico e as buzinas não param um minuto sequer, no entanto os motoristas estão acostumados a esse caos e aos recém chegados resta apenas confiar e relaxar porque afinal de contas estamos em uma capital com mais de 10,5 milhões de pessoas.

1º Dia – Depois de um café-da-manhã digno de um faraó com direito à tâmaras frescas colhidas à beira do Rio Nilo e mel direto do favo servido no Hotel Pyramisa, era chegada a hora de visitar o Complexo de Gizé, situado em um vasto planalto de mais de 4.500 anos que guarda suas famosas Pirâmides de Quéops, Quefrén e Miquerinos, erguidas para os faraós da IV Dinastia com a função de garantir a passagem dos governantes para a vida após a morte, além da esfinge esculpida em um único bloco de calcário que representa o faraó Quéfren com corpo de leão, simbolizando força e proteção sagrada. A visita ao complexo custa 700 libras egípcias (U$15) e contempla o acesso ao complexo de pirâmides e a entrada na área da esfinge.
Depois de visitar o complexo, tirar muitas fotos e passear de carruagem era o momento de almoçar no Restaurante Khufu (nome egípcio do faraó mais conhecido pelo seu nome grego, Quéops) que abriu suas portas em 2022 e que se destaca pela culinária egípcia reimaginada pelo chef Mostafa Seif, sendo eleito em 2025 como o melhor restaurante da África. E não é pra menos, a sua fama cruzou oceanos e para conseguir uma mesa para degustar um dos três menus ofertados para o almoço é preciso fazer reserva antecipada. Se vale a pena? Eu diria que a experiência gastronômica só não supera a vista para a Grande Pirâmide de Quéops (a última das Sete Maravilhas do Mundo Antigo). Uma dica de ouro: prove o vinho local Jardin Du Nil produzido com uvas da África do Sul.
Como tínhamos comprado o ingresso antecipado (1450 libras egípcias – US$ 30) para as visitar o Grande Museu Egípcio (GEM) que fica bem próximo do Complexo de Gizé, mal acabamos de almoçar e já estávamos em frente ao edifício que levou 20 anos para ser construído para abrigar o maior museu arqueológico do mundo dedicado a uma única civilização. Projetado para reunir e modernizar a exibição do patrimônio do Egito Antigo, o museu abriga milhares de artefatos, incluindo a coleção completa do tesouro do faraó Tutancâmon, exposta pela primeira vez em um único lugar.
Além dos tesouros de Tutancâmon, o museu abriga a estátua do faraó Ramessés II, uma das mais imponentes do Egito Antigo que simboliza o poder e a longevidade de seu reinado, no século XIII a.C., durante a XIX Dinastia. Esculpida em granito rosa e com cerca de 11 metros de altura, a estátua foi encontrada originalmente em Mênfis e, após décadas exposta no centro do Cairo, foi cuidadosamente transferida para o Grande Museu Egípcio, onde hoje recebe os visitantes logo na entrada. Considerado um dos maiores faraós da história, Ramessés II governou por cerca de 66 anos, mandou erguer templos monumentais, usando a arte e a escultura como forma de afirmar sua divindade e poder eterno. Uma curiosidade sobre o faraó Ramessés II é que ele morreu com cerca de 90 anos e em 1976, a sua múmia foi enviada do Egito para a França para passar por tratamentos de conservação, pois apresentava danos causados por fungos. Para a viagem, as autoridades egípcias emitiram oficialmente um passaporte, já que a legislação francesa exigia documentação para qualquer “entrada” no país, mesmo se tratando de uma múmia com mais de 3.000 anos. No documento, a profissão de Ramessés II foi registrada como “Rei (falecido)”. Ao chegar a Paris, ele recebeu até honras militares, em reconhecimento ao seu status histórico. A múmia foi estudada no Musée de l’Homme e depois retornou ao Egito, onde segue preservada no Museu Nacional da Civilização Egípcia (NMEC).
A visita ao Museu não leva menos de três horas e deve ser feita com calma, pois há diversas salas, incluindo uma exclusiva para abrigar a barca solar de Quéops, um barco de madeira de cedro com mais de 4.600 anos que era destinado à jornada espiritual do faraó e que foi transferido em 2021 do seu museu original ao lado da Grande Pirâmide para o novo museu, além do obelisco suspenso na área externa, um monumento de granito dedicado a Ramessés II que foi montado em uma praça de 30.000 m², permitindo que visitantes andem por baixo dele.
2º Dia – Logo cedo fomos ao aeroporto embarcar para a cidade de Aswan, uma das mais encantadoras do sul do Egito, situada às margens do rio Nilo e conhecida por seu ritmo tranquilo e paisagens naturais. Antigo ponto estratégico do Egito Antigo, Aswan foi porta de entrada para o comércio com a África. A cidade também tinha um papel importante na produção dos obeliscos que eram esculpidos nessa região que possuía abundantes pedreiras de granito rosa, material nobre associado ao deus sol Rá. Esses monumentos, erguidos em frente a templos, simbolizavam poder, proteção divina e ligação entre o faraó e os deuses. Após serem talhados em um único bloco de pedra, os obeliscos eram transportados pelo rio Nilo para cidades como Luxor e Karnak. Uma das maiores curiosidades é o Obelisco Inacabado, que permanece até hoje na pedreira de Aswan. Ele foi abandonado ainda preso à rocha após o surgimento de rachaduras, provavelmente durante o reinado da rainha Hatshepsut. Se tivesse sido concluído, teria cerca de 42 metros de altura e seria o maior obelisco já feito no Egito, oferecendo hoje uma rara oportunidade de entender as técnicas de construção usadas há mais de 3.000 anos.
Logo após a chegada a Aswan fomos fazer o check-in no Cruzeiro Renaissance no qual passaríamos os próximos três dias navegando pelo Rio Nilo. Os cruzeiros pelo Nilo são uma forma de conhecer a região e os navios que acomodam em média 150 hóspedes atracam em áreas específicas à beira do Nilo em fileiras de até quatro navios encostados um ao outro oferecendo serviços que variam de 3 a 5 estrelas. No caso específico do navio Renaissance, construído no ano de 1993, tivemos uma experiência muito agradável, pois tanto o atendimento dos funcionários como a alimentação a bordo superaram as nossas expectativas. O ponto alto do cruzeiro foram os chás da tarde no deck da piscina com vista para o rio e as duas noites temáticas (árabe e dança do ventre) com música e dançarinos locais.
Depois de conhecer e nos acomodar no navio, tivemos a tarde para visitar a Represa de Aswan, construída no século XX para controlar as cheias do rio Nilo, gerar energia elétrica e garantir irrigação durante todo o ano. Sua versão mais famosa, a Alta Represa de Aswan, foi concluída em 1970 com apoio internacional e resultou na criação do Lago Nasser, um dos maiores lagos artificiais do mundo. Embora tenha impulsionado o desenvolvimento do Egito moderno, a obra também provocou impactos ambientais e exigiu o resgate e a realocação de importantes templos antigos, como os de Abu Simbel, construído pelo faraó Ramessés II, no século XIII a.C., durante a XIX Dinastia. O complexo tinha como objetivo celebrar o poder do faraó, marcar a fronteira sul do Egito e impressionar povos vizinhos da Núbia, além de funcionar como templo religioso dedicado aos deuses Rá-Harakhty, Amon e Ptah, e ao próprio Ramessés II divinizado. O templo menor foi dedicado à rainha Nefertari e à deusa Hathor.
Após a visita à Represa de Aswan, pegamos um barco e fomos até o Templo de Philae (entrada 550 libras egípcias – U$12), dedicado à deusa do amor Ísis. Esse templo tornou-se um importante centro religioso do Egito Antigo, especialmente durante o período greco-romano. Originalmente construído na ilha de Philae, o templo ficou submerso após a construção da Represa de Aswan e, em uma das maiores operações arqueológicas do século XX, foi desmontado e reconstruído na ilha de Agilkia. Como curiosidade, Philae foi um dos últimos lugares do Egito onde os rituais da antiga religião egípcia continuaram sendo praticados, até o século VI d.C., o que aumenta ainda mais sua importância histórica e simbólica.
3º Dia – Ficamos hospedados no navio Renaissance atracado em Aswan e logo pela manhã fomos fazer um passeio de felluca (barco tradicional à vela), navegando tranquilamente pelo rio Nilo com vistas para ilhas, dunas e paisagens naturais. Mudamos para um barco a motor para visitar uma Vila Núbia e seu povo que mantém tradições milenares. Desde a Antiguidade, formaram reinos poderosos como Reino de Cuxe, com capitais em Kerma, Napata e Meroé. Em certos períodos, os núbios chegaram a governar o próprio Egito, formando a chamada XXV Dinastia, conhecida como a dinastia dos faraós negros, como Piye – fundador da dinastia; unificou Egito e Núbia e Taharqa – o mais famoso; grande construtor e defensor contra invasões assírias. Reconhecidos por sua cultura rica, habilidade no comércio, metalurgia e arquitetura, os núbios mantêm até hoje tradições próprias, visíveis nas vilas do sul do Egito e do Sudão. Á tarde o navio partiu para uma navegação pelo Nilo em direção a Luxor. Uma observação importante é que nesse dia tínhamos a opção de conhecer o Templo de Abu Simbel, no entanto o passeio partia as 2:30 da manhã e acabamos optando em ficar em Aswan, aproveitar o passeio de felluca e conhecer a Vila Nubia (e valeu a pena!).
Navegamos no período da tarde até atracar às margens do Nilo em Kom Ombo para uma visita ao famoso templo duplo da era ptolemaica (entrada 450 libras egípcias- U$10), dedicado aos deuses Sobek (crocodilo) e Haroeris (falcão) e ao Museu do Crocodilo, exibindo múmias antigas de crocodilos. A visita noturna nos permitiu uma vista maravilhosa do templo iluminado, destacando as inscrições hieroglíficas com receitas e instrumentos medicinais esculpidos nas paredes, o que o torna único no Egito. Esses relevos, do período ptolomaico(séculos II–I a.C.), mostram ferramentas cirúrgicas (como bisturis, pinças e serras) e textos associados a tratamentos, fórmulas medicinais e práticas de cura. Isso está ligado ao culto do deus Sobek (associado à proteção e à força) e também à tradição médica egípcia, que combinava conhecimento prático, magia e religião. Por essa razão, Kom Ombo é frequentemente associado à medicina no Egito Antigo e à ideia de templo como local de cura.
4º Dia – Logo ao amanhecer (4:30) o navio atracou em Edfu para visitarmos o Templo de Hórus (entrada 550 libras egípcias – U$12) que é um dos mais bem preservados do Egito, dedicado ao deus Hórus (deus falcão), símbolo de proteção, realeza e da vitória do bem sobre o mal. Foi construído entre 237 e 57 a.C., durante o período ptolomaico, mas segue fielmente o estilo tradicional egípcio, mesmo sendo posterior à era dos faraós. Nas paredes estão gravadas cenas do conflito entre Hórus e Seth, uma das narrativas mitológicas mais importantes do Egito Antigo. Os relevos funcionam como um verdadeiro “manual de construção de templos”, mostrando rituais, medidas e cerimônias religiosas.
Depois da visita ao templo, voltamos ao navio e seguimos a navegação pelo Nilo passando pela eclusa de Esna, entre Luxor e Edfu. Construída no século XX, a eclusa permite que embarcações superem a diferença de nível da água criada pela Represa de Esna, regulando o fluxo do rio e garantindo a navegação contínua, especialmente para os cruzeiros turísticos. Além de seu papel técnico, a Eclusa de Esna é conhecida pelo intenso movimento de barcos e pelo contraste entre a engenharia moderna e o antigo Templo de Khnum, situado no centro da cidade, construído no século I d.C. pelos imperadores romanos Tibério, Cláudio e Vespasiano, revelando a convivência entre passado e presente às margens do Nilo. Ao navegar por Esna muitos barquinhos de vendedores locais se aproximam oferecendo seus produtos como echarpes, toalhas e souvenirs diversos em um processo bem interessante de comércio no qual os vendedores jogam pacotes de mercadorias para os viajantes dos navios e começam a negociar o preço. Se o cliente aceitar joga o dinheiro para o vendedor ou se recusar joga de volta a mercadoria.
Chegamos à noite e pernoitamos a bordo em Luxor, a antiga cidade de Tebas, que foi a capital do Egito durante o Novo Império (c. 1550–1070 a.C.) e era considerada pelos antigos egípcios como a “cidade dos cem portões”. Um museu a céu aberto que concentra alguns dos templos e necrópoles mais importantes do Egito Antigo.
5º Dia – Logo cedinho fomos visitar os Colossos de Mêmnon de onde partem os passeios de balão e onde se encontram as duas gigantescas estátuas de pedra que representam o faraó Amenófis III sentado em seu trono. Construídos por volta de 1350 a.C., eles guardavam a entrada do grande templo funerário do faraó, hoje quase totalmente desaparecido. Na Antiguidade greco-romana, uma das estátuas tornou-se famosa por emitir um som ao amanhecer, fenômeno causado por fissuras na pedra após um terremoto, sendo associada ao herói mitológico Mêmnon — curiosidade que tornou os colossos célebres no mundo antigo.
Na margem leste do Nilo (cidade dos vivos) estão o grandioso Templo de Karnak (entrada 600 libras egípcias – U$ 13), o maior complexo religioso já construído, dedicado principalmente ao deus Amon, e o Templo de Luxor (entrada 550 libras egípcias – U$12), ligado às cerimônias reais e conectado a Karnak em cerca de 2,7 quilômetros pela antiga Avenida das Esfinges que contam com aproximadamente 1.000 a 1.300 esfinges, muitas com corpo de leão e cabeça humana ou de carneiro, símbolo do deus Amon. O Templo de Karnak não é um único templo, mas um enorme complexo construído e ampliado por vários faraós ao longo de mais de 2.000 anos.
Já na margem oeste (lado dos mortos) fica o famoso Vale dos Reis (entrada 750 libras egípcias – U$15 com direito a entrada em três tumbas, exceto a de uitancâmon), onde foram enterrados faraós do Novo Império, incluindo Tutancâmon, O Vale dos Reis abriga mais de 60 tumbas escavadas na rocha, usadas por faraós do Novo Império para evitar saques que eram comuns nas antigas pirâmides. As tumbas não são identificadas por nomes, mas por códigos como a KV62, que é a tumba de Tutancâmon (entrada U$15), uma das menores do vale, mas ficou mundialmente famosa por ter sido encontrada quase intacta em 1922 pelo arqueólogo Howard Carter. Mais de 5.000 objetos foram encontrados em sua tumba, incluindo a icônica máscara funerária de ouro (em exposição no Grande Museu Egípcio do Cairo). Diferente de outros faraós, Tutancâmon ainda está enterrado no Vale dos Reis, e sua múmia permanece na tumba. na qual encontramos paredes decoradas com textos e cenas do Livro dos Mortos, usados como guia para a vida após a morte.
Na margem oeste encontramos também o impressionante Templo de Hatshepsut (entrada 440 libras egípcias – U$9), dedicado à rainha-faraó Hatshepsut, com sua arquitetura única integrada às falésias do deserto de Deir el-Bahari. Hatshepsut foi uma das poucas mulheres a governar o Egito como faraó, no século XV a.C., durante a XVIII Dinastia. Para reforçar sua autoridade, ela passou a ser representada com barba postiça, trajes masculinos e títulos reais, seguindo a tradição dos faraós homens. Seu governo foi marcado por paz e prosperidade, com destaque para expedições comerciais, como a famosa viagem à Terra de Punt, registrada em relevos no templo. Após sua morte, muitos de seus nomes e imagens foram apagados por ordem de Tutmés III, possivelmente para legitimar a sucessão masculina.
Terminada a maratona de visitas às necópoles e templos, almoçamos no Restaurante Georgina bem próximo ao cais do porto e, depois de pegar nossas malas que ficaram no navio, regressamos ao Cairo em um vôo com a companhia AirCairo e novamente nos hospedamos no Hotel Pyramisa Suites.
6º Dia – Depois de mais um café-da-manhã dos deuses no hotel, estávamos prontos para um passeio com uma guia egiptóloga que contratamos pelo get you guide para conhecer o fascinante Cairo cristão antigo e o islâmico medieval. Começamos pelo Bairro Copta (Al Dayoura) que concentra o Museu Copta que reúne séculos de arte e manuscritos cristãos e algumas das igrejas cristãs mais antigas do Egito, como a Igreja Suspensa, construída sobre antigas muralhas romanas, além da Igreja de São Sérgio, tradicionalmente associada à passagem da Sagrada Família pelo Egito. Nela é possível entrar em uma gruta onde supostamente a família de Jesus teria passado três meses durante o período no qual o Rei Herodes, o Grande, ordenou a execução de todos os meninos com dois anos ou menos em Belém. O objetivo era eliminar o recém-nascido “Rei dos Judeus” (Jesus), temendo perder seu trono. Jesus foi salvo pela fuga da família para o Egito.
A nossa guia Hagar (nome da escrava egípcia que segundo a tradição bíblica engravidou de Abrão e deu a luz ao seu primeiro filho Ismael) nos brindou com informações importantes sobre os diversos aspectos da história e cultura do país e nos levou para conhecer o Museu do Papiro no qual pudemos conhecer essa tradição milenar de preparação de folhas de papel a partir da planta Cyperus papyrus, muito abundante no Delta do Nilo. Desenvolvido no Egito (c. 2500 a.C.), esse papel era produzido cortando a medula do caule em tiras, as quais eram cruzadas, prensadas e secas, formando rolos para textos que perduram pelos séculos com inscrições antigas que sobreviveram ao tempo.
Na parte da tarde, o passeio foi pelo Complexo de Muralhas Islâmicas do Cairo revelando o período medieval islâmico da cidade, com fortalezas, portas monumentais e vistas panorâmicas, destacando-se a Cidadela de Saladino, construída entre os anos 1176 e 1183 para proteger a cidade dos ataques europeus. Nesse complexo encontramos as áreas mais vibrantes e históricas da cidade, onde está localizado o famoso Bazar Khan el-Khalili. Essa região começou a se desenvolver a partir do século X, durante o período fatímida, quando o Cairo foi fortificado com muralhas, portas monumentais e mesquitas. Entre os destaques estão as antigas portas Bab al-Futuhe Bab an-Nasr, que marcavam a entrada da cidade medieval, além de ruas estreitas repletas de madraças, mesquitas e caravançarais. O Khan el-Khalili surgiu como um grande centro comercial, onde até hoje é possível encontrar especiarias, joias, lanternas, perfumes e cafés tradicionais, mantendo viva a atmosfera do Cairo islâmico histórico.
No retorno ao hotel passamos em frente da mesquita de Muhammad Ali ou Mesquita de Alabastro, construída entre 1830 e 1857 em estilo otomano. Ela domina o horizonte da cidade com minaretes de 82 metros e revestimento de alabastro, celebrando o fundador do Egito moderno. Outra curiosidade que encontramos pelo caminho foi a vista da Cidade dos Mortos (Al-Qarafa), uma vasta necrópole islâmica com mais de 1000 anos no Cairo, onde milhares de pessoas vivem entre túmulos devido à falta de moradias, criando um cenário único de coexistência entre vida e morte. A área inclui mausoléus históricos espalhados pela parte antiga da cidade.
E depois de visitar todos esses atrativos era o momento de nos despedir do Egito, não antes de brindar a viagem com uma taça do vinho Jardin Du Nil (Jardim do Nilo) com a certeza que a viagem valeu cada centavo investido. E se você tem alguma dúvida se visitar ou não o Egito a dica é: vá com a mente aberta, contrate uma agência de viagens de confiança (a nossa foi a Dunas Travel) e aproveite ao máximo esse banho de cultura de uma civilização milenar.
