Brasil

O outro lado do Paraíso no Cerrado


Provavelmente você já deve ter ouvido falar do Parque Estadual do Jalapão que há pouco tempo ficou ainda mais conhecido depois de virar cenário para a novela “O outro lado do paraíso”. O Parque que foi criado em janeiro de 2001 está cravado no centro do bioma do cerrado sobre o aquífero Urucuia que contribui para as nascentes das águas do Rio Tocantins, São Francisco e Parnaíba, daí a sua importância e a sua beleza ao concentrar uma grande quantidade de “fervedouros”, as nascentes cristalinas que surgem do solo de areia quartzosa com alto grau de intemperismo e porosidade. A porosidade do solo dessa região permite que as águas da chuvas se infiltrem, sejam filtradas e em razão dos baixos teores de argila no solo, ao atingir o lençol freático são armazenadas e gradativamente liberadas durante o ano para voltar à superfície partindo do local mais baixo do relevo de vegetação rasteira que se mantém verde o ano todo conhecido como vereda (essa amplamente divulgada nas obras literárias de Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas).

Parque Estadual do Jalapão, Tocantins

O nome Jalapão vem de uma planta nativa aliada a um costume dos boiadeiros que cruzavam a região rica em águas e veredas; esses consumiam a raiz da Jalapa (Mandevilla Ilustris) embebida na cachaça e usada como depurativo. Quando chegavam nos botequins da região pediam uma jalapa(dose normal) ou um jalapão (dose dupla), surgindo assim o nome do parque.

Os fervedouros encontram-se em propriedades privadas e para entrar é preciso pagar uma taxa de R$ 20 por pessoa para se refrescar neles em períodos de 20-30 minutos. A beleza dos fervedouros está na coloração das águas e na sensação única de flutuar nas areias do fundo da nascente que mesmo sendo muito profundas não deixam o banhista afundar devido à alta pressão que vem do fundo da nascente. Os fervedouros mais famosos e visitados da região são: Fervedouro do Alecrim, do Ceiça, do Buriti, do Buritizinho, Bela Vista, sendo que esse último oferece uma infraestrutura diferenciada com opção de hospedagem, restaurante e a possibilidade dos hóspedes desfrutarem o fervedouro durante o período da noite.

E se surgir a pergunta? – Qual deles é o melhor? Na verdade por mais que possamos tentar descrever em palavras será difícil dizer qual deles merece um oscar, pois cada um tem uma especificidade, seja ela pela cor ou temperatura da água (geralmente morna), ou pela beleza única do lugar onde se encontra. Assim sendo, na dúvida visite todos.

A nossa viagem se inicia em Palmas, a capital do estado de Tocantins. Uma das mais jovens capitais do país que se desenvolve principalmente do comércio e do funcionalismo público, além de ser a porta de entrada para a região do Jalapão.

Logo pela manhã a Jalapagos Turismo estava na porta do Terra Nativa e Café para começar a aventura de cerca de 300 km de sacolejos pela estrada de terra que liga a capital à cidade de São Félix do Tocantins, no caminho uma bela paisagem do cerrado e a majestosa Serra da Catedral que abriga no seu topo uma formação rochosa em formato de uma imensa catedral natural. Por volta das 13hs uma pausa para o almoço e depois de um breve cochilo era o momento de fazer uma massagem natural nas quedas da Cachoeira das Araras, seguido de um tratamento de choque de beleza no Fervedouro do Alecrim, o primeiro que conhecemos na viagem e de quebra um dos mais inscríveis com suas águas esverdeadas e super clarinhas com vários peixinhos. Como chegamos em um sábado a maioria dos visitantes estavam já retornando para a capital e por isso não havia mais ninguém no fervedouro, o que é um golpe de sorte para poder aproveitar ainda mais a experiência.

Serra da Catedral, Jalapão, Tocantins
Fervedouro do Alecrim, Jalapão

Algumas sacolejadas adiante e já ansiosos pelo que estava por vir, eis que chegamos na Pousada Bela Vista com suas casinhas novinhas em folha com ar condicionado e cada uma delas personalizada com a pintura de um animal do cerrado. Antes mesmo do jantar os hóspedes aproveitaram para entrar no Fervedouro, o único que fica aberto 24hs por dia (exclusivo para hóspedes no período das 18hs às 08hs) e possui um deck elevado para fazer as mais lindas fotos. Além da hospitalidade dos proprietários, as delícias servidas no jantar e no café-da-manhã, o Bela Vista é um dos maiores da região e a sensação de acordar cedinho com o canto dos pássaros para se banhar em uma piscina natural azulzinha não tem preço.

Pousada Bela Vista, Tocantins
Fervedouro Bela Vista, Jalapão

O dia seguinte foi totalmente dedicado a conhecer os Fervedouros Buritizinho, Buritis e Rio do Sono. O primeiro é um dos menores da região, porém concentra diversas tonalidades de azul em suas águas e mais parece um córrego com apenas um grande vertedouro de água, já o fervedouro dos Buritis possui várias vertentes de água e fica bem mais aberto, recebendo uma maior quantidade de luz do sol, enquanto que o Rio do Sono tem as águas mais frias por estar mais à sombra e a tonalidade de suas águas de um azul mais turquesa. Depois de se esbaldar nos fervedouros, ainda demos uma passadinha do Cânion Sussuapara (12 km de Ponte Alta) com seu paredão de pedra e a pequena cachoeira escondida entre a vegetação e passamos horas agradáveis na Cachoeira da Formiga com suas águas de cor esmeralda que permitem mergulhos e fotos sensacionais dos peixinhos que nadam tranquilamente em seu habitat natural.

Fervedouro do Sono, Jalapão
Fervedouro Buriti, Jalapão
Fervedouro Buritizinho, Jalapão
Cachoeira da Formiga, Jalapão

Ao cair da tarde era o momento de caminhar um pouco para chegar até as Dunas do Jalapão, um terreno arenoso formado em meio ao cerrado devido à ação do vento que leva a areia das montanhas para uma área próximo ao córrego do rio. O pôr-do-sol atrai todos os dias milhares de visitantes que buscam os melhores lugares para aproveitar a energia do lugar e de quebra conhecer o jardim do cerrado onde concentram-se a maior quantidade de chuveirinho ou sombreiro, as flores da família das sempre vivas.

Dunas do Jalapão
Pepalantus sp. – Flores do Cerrado

O terceiro e último dia da aventura pelo Jalapão nos levou novamente por estradas de chão com uma paisagem maravilhosa de cerrado, chapadas e a possibilidade de conhecer pessoas incríveis como a Dona Minervina, uma senhora muito simpática que administra seu restaurante familiar nas proximidades da Lagoa do Japonês. Em um fogão à lenha ela revela sabores caseiros que aprendeu com sua mãe quando ainda era pequena e compartilha toda sua alegria ao receber os visitantes para o almoço antes que eles prossigam para a lagoa. Ela se aproxima das mesas e agradece a presença dos comensais dizendo: – “Antes eu andava solitária pelo quintal procurando pessoas para conversar, agora que os visitantes descobriram isso aqui eu fico feliz em ver minha casa cheia.” Ali em seu restaurante podemos ainda provar uma jalapa (R$ 5 dose) e descobrir os segredinhos do Jalapão confortavelmente estirado em uma rede em frente ao restaurante. Depois do descanso uma visita à Lagoa do Japonês e suas águas cristalinas que fazem a diversão dos visitantes. A primeira impressão ao chegar na lagoa é de um lugar simples onde as pessoas vão para descansar e fazer piqueniques e passar o dia (principalmente as famílias), no entanto para se chegar até a parte mais bonita da lagoa onde fica o paredão de pedra é preciso nadar ou pegar um barquinho (o local aluga coletes e flutuadores). As pedras do fundo da lagoa são cortantes e por isso aconselha-se usar um sapato apropriado, além disso não deixe de aproveitar a visita ao local para fazer um pedicure natural com os peixinhos que se aproximam rapidamente tão logo colocamos os pés na água nas escadarias para entrar na lagoa.

Lagoa do Japonês, Jalapão

O passeio nesse dia ainda contava com a cereja do bolo: o pôr-do-sol na Pedra Furada, uma formação esculpida na pedra de arenito em meio ao cerrado com uma vista fantástica e um dos cenários da novela “O outro lado do Paraíso”. A pedra está localizada a 35km de Ponte Alta do Tocantis em uma propriedade particular de fácil acesso, a visita é gratuita e o entardecer é o ponto alto para apreciar a paisagem e sentir a energia do cerrado.

Paisagem da Pedra Furada, Jalapão

A viagem estava quase acabando, mas a última noite na Pousada Águas do Jalapão ainda conseguiu nos surpreender pela qualidade da infraestrutura e das opções do cardápio do jantar, além da piscina e da jacuzzi bem no meio do bar onde os viajantes e aventureiros se encontram à noite para trocar suas experiências de viagem e descansar depois ou antes da maratona pelo parque.

Depois de uma noite de sono estávamos a poucas horas de Palmas e ainda tivemos um tempinho para conhecer a Cachoeira Escorrega Macaco e ver os macaquinhos em seu ritual matinal de quebrar os cocos nas pedras para comer as castanhas e se fartar em um delicioso café-da-manhã, além de se refrescar e renovar as energias na cachoeira de água trincando antes de seguir ao aeroporto de Palmas.

Como Chegar: a região do Parque Estadual do Jalapão encontra-se a cerca de 300km da cidade de Palmas-TO, e é composta de uma extensa região que abriga diversos atrativos como os fervedouros, chapadas, dunas e a vegetação típica do cerrado. Como a maior parte das estradas ainda é de chão, o mais aconselhado é visitar a região com guias especializados em suas 4×4 para ter a certeza de chegar aos locais em segurança. Os passeios geralmente duram de 3-7 dias e são feitos em grupos de no máximo 4 pessoas (capacidade do veículo). Nessa viagem utilizamos os serviços da Jalapagos Turismo e o guia Hugo que nos proporcionou uma incrível experiência ao mostrar os principais pontos da região com muita segurança, profissionalismo e minimizando ao máximo o cansaço da viagem com paradas estratégicas ao longo do passeio.

Onde ficar: Em Palmas há opções de hotéis de rede, hostel e B&B, nessa viagem optamos pelo Terra Nativa Café, um Bed & Breakfast administrado pela Cinthia, uma profissional do turismo que além de cuidar do mínimos detalhes do seu empreendimento ainda forma guias e profissionais para atender a demanda de visitantes do Jalapão que cresceu exponencialmente nos últimos meses em função da promoção que a novela da rede Globo projetou no destino. Os pacotes das operadoras locais incluem a hospedagem no sistema all inclusive (café, almoço e jantar) quando dentro do parque estadual, por isso depende muito do sentido do roteiro e a disponibilidade das pousadas locais no período da viagem.

O que comer: na cidade de Palmas há uma feira de produtos típicos nas terças e sextas-feiras à partir das 17hs onde é possível encontrar diversas opções de produtos do cerrado, doces tradicionais e o famoso artesanato feito com o capim dourado. Durante os passeios pelo parque deleite-se na culinária simples e saborosa oferecida pelos nativos nas pousadas e se encontrar um artesanato que salte aos olhos não deixe de comprar e contribuir para o crescimento econômico das comunidades quilombolas e nativas da região.

Artesanato de capim dourado, Jalapão, Tocantins

E você conhece ou quer conhecer o Jalapão? Deixe o seu comentário com suas dicas e perguntas…

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2 comentários em “O outro lado do Paraíso no Cerrado”

  1. Quero agradecer essa pessoa incrível que eu tive o prazer de conhecer nessa viagem,, grande abraço Cláudia !
    Saber que fiz parte desse seu trabalho pra mim foi um prazer !
    Parabéns cantinhodaviagem
    Grato Hugo

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