Brasil

A tradição do Halloween português


Você conhece ou já ouviu falar do “pão-por-Deus”?

Outro dia aconteceu um fato bem curioso enquanto eu estava passando uns dias na praia de Itapoá em Santa Catarina. Numa manhã ensolarada de sábado, uma senhorinha que trabalha como catadora de latinhas no bairro bateu no portão de casa e com algumas folhas de papel colorido em mãos me pediu uma ajuda: ela queria que eu preparasse os bilhetinhos do “pão-por-Deus”, porque ela não sabe escrever.

Eu juro que até então jamais tinha ouvido falar neste tal de “pão-por-Deus”, mas para contentar a Dona Maria aceitei o pedido, fui procurar o significado dos tais bilhetinhos  e, para minha surpresa, acabei conhecendo uma tradição que os açorianos trouxeram para o Brasil, uma variante portuguesa dos “doces ou travessuras” da festa de Halloween.

 

photo of children in halloween costumes smiling
Doces e Travessuras de Halloween em Pexels.com

Nessa tradição, no dia 1. de Novembro (véspera de finados), as crianças em Portugal saem pelas ruas com um saquinho de tecido em mãos, batendo de porta em porta, recitando versinhos e pedindo pães, bolinhos e docinhos que são generosamente repartidos.

pao
Saquinhos do “pão-por-Deus” português.

Nas casas onde recebem presentinhos as crianças geralmente recitam:

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.

Mas se os presentes não aparecem a travessura é em forma dos versos:

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto (Fonte: OfPortugal)

Essa antiga tradição ajudou também os portugueses atingidos pelo terremoto de 1755 em Lisboa, quando estes resolveram usar o peditório do “pão-por-Deus” para arrecadar alimentos nos bairros que não haviam sido afetados pela catástrofe.

Digamos que os tais peditórios são uma espécie de correio elegante onde os papeizinhos são preparados com muito carinho com diversos recortes em formato de corações e formas geométricas, mostrando o esmero e a consideração para com os fortunados que irão ler os versinhos e retribuir com um doce presentinho.

E aqui no Brasil, todos os anos a Dona Maria cumpre a tradição que herdou da família portuguesa e sai pela vizinhança distribuindo os versinhos  na esperança de ganhar vários presentinhos. Apesar de ser analfabeta e passar por muitas dificuldades, ela é uma mulher forte, inspiradora, de grande sabedoria e certamente merecedora de muito mais que simples versinhos e rimas do “pão-por-Deus”.

pao por deus itapoa
Versinhos do “pão-por-Deus” de Dona Maria, Itapoá-SC

Em homenagem à Dona Maria que me ensinou um pouquinho da tradição e a beleza dos versinhos portugueses, deixo aqui trechos de uma rima sofrida de muitas tantas Marias pelo mundo…

“Lá vai meu coração, como diamante de quilate, esperando um pão-por-Deus, doce como chocolate.” (Versinho da Dona Maria, Itapoá, 2018).

Você também pode gostar de conhecer Itapoá: a nova descoberta do litoral de Santa Catarina

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